O Retorno Emocionante do Apáxes
“O Apáxes traz uma sensação indescritível, um amor que nos comove a cada desfile. É de emocionar até quem apenas assiste”, comentou Nelson Rufino em sua famosa canção dedicada ao Apáxes do Tororó. O bloco, que é um marco no Carnaval de Salvador, se prepara para retornar à Avenida em 2026, prometendo resgatar a alegria e a história que o tornaram pioneiro na folia baiana.
O Apáxes, um dos guardiães da memória indígena e afro-brasileira, volta a ser destaque após uma mudança de grafia na década de 90, quando passou a se chamar Apáxes em referência ao axé e às linguagens originárias. O bloco conta com a parceria do renomado Carlinhos Brown e já deu início à venda de abadás a preços acessíveis — R$ 150,00 para individuais e R$ 250,00 para casadinhas, disponíveis na plataforma Ingresso Simples.
Segundo Adelmo Costa, presidente do Apáxes, este retorno gera uma emoção imensa. “O bloco nasceu no final da década de 1960 e trouxe uma revolução para o Carnaval, introduzindo sonorização e composições originais, atraindo uma multidão apaixonada. Embora tenhamos nos afastado do Campo Grande devido à pandemia e à falta de recursos, nunca deixamos de ser parte da festa. Estivemos no Circuito Batatinha, e agora estamos prontos para homenagear Carlinhos Brown, que é uma figura querida para nós”, destacou em entrevista ao Bahia Notícias.
Reconstruindo a História do Apáxes
A volta do bloco também representa um processo de reconstrução e reintegração ao circuito cultural. Em colaboração com o multiartista Caboclo de Cobre, o Apáxes visa fortalecer suas bases e garantir a dignidade de todos que trabalham para manter a tradição do Carnaval. “Retornar à Avenida em um contexto onde debatemos racialidade e diversidade é essencial. O Apáxes é o bloco mais antigo em atividade na Bahia e sempre esteve à frente de pautas inovadoras”, afirmou Caboclo, que ressalta a importância de reconhecer a contribuição indígena para a cultura nacional.
Ele continuou explicando que a história do Apáxes não é apenas sobre festa, mas um lembrete da luta e resistência da comunidade indígena. “A cultura indígena permeia diversas áreas, desde rituais do Candomblé até outras manifestações que fazem parte da identidade brasileira. O retorno do Apáxes é um convite a todos para relembrar e valorizar essa parte da cultura em Salvador, um território indígena Tupinambá”, comentou Luiz Guimarães.
A Ausência na Folia e os Desafios Financeiros
A falta de recursos e visibilidade tem sido um desafio constante para o Apáxes, levando à sua ausência em edições passadas do Carnaval. Adelmo destacou a frustração ao ver um bloco com tanto legado ser esquecido. “Sem apoio financeiro adequado, fica difícil manter a história viva. Embora este ano tenhamos o suporte do projeto Ouro Negro, o valor recebido é insuficiente para a magnitude do que precisamos, e isso desanima”, lamentou.
Caboclo complementou dizendo que a ausência de um museu indígena em Salvador é um reflexo da invisibilidade da cultura indígena na cidade. “O Apáxes não só deseja brilhar no Carnaval, mas também anseia por ser um espaço de educação e reconhecimento das raízes indígenas”, afirmou.
Pioneirismo e Inovação no Carnaval
O Apáxes não é somente um bloco de Carnaval; ele foi o primeiro a colocar trios elétricos ornamentados na folia e pioneiro na introdução de segurança para o público, muito antes da gestão estatal se atentar a essas questões. “Foi o Apáxes quem, pela primeira vez, trouxe essa proposta inovadora, alinhando a estética do bloco com a sonoridade própria”, explicaram os representantes da agremiação, lembrando que a tradição de “bar andante” e os primeiros LPs ao vivo têm suas origens na história do bloco.
Adelmo ressaltou a importância da visibilidade: “Apesar das dificuldades, acreditamos que com o apoio de Carlinhos Brown, conseguiremos um retorno triunfante, resgatando o brilho histórico do Apáxes, que nunca deveria ter desaparecido dos holofotes”.
Preparativos para o Desfile de 2026
Com o desfile de 2026 em mente, o Apáxes planeja uma apresentação que une passado, presente e futuro. O bloco contará com a participação de coletivos indígenas das etnias Kiriri, Xukuru-Kariri, Kariri-Xocó e Tupinambá. Figurinos inspirados nas roupas cerimoniais dos povos de Abya Yala e referências da realeza africana de Oyó enriquecerão a apresentação, que promete ser um marco.
Caboclo, que também está à frente da produção do desfile, comentou sobre o impacto positivo que a Casa Preta Espaço de Cultura terá na performance. “Vamos integrar diversos elementos musicais, explorando ritmos como maracatu, xote e baião, para mostrar a riqueza da musicalidade indígena”, afirmou.
Com um olhar voltado para o futuro, Adelmo e Caboclo planejam revitalizar o bairro do Tororó, trazendo de volta o potencial turístico e cultural da região. “Queremos que o Carnaval de 2026 não seja apenas uma festa, mas um catalisador de mudanças sociais e culturais”, finalizou Caboclo.
Para apoiar o desfile, o Apáxes lançou uma vaquinha solidária com o objetivo de viabilizar a participação das comunidades indígenas. O link para contribuições será divulgado em suas redes sociais, ressaltando a importância de trazer à tona a cultura indígena na maior festa popular do Brasil.


