O Impacto da Mecanização na Agricultura Familiar
No norte da Bahia, a agricultura familiar vem passando por uma verdadeira transformação, e isso se deve, em grande parte, ao fortalecimento das práticas e à tecnologia. Um exemplo notável é a atuação da Associação Cidadania Rural, que reúne agricultores de milho na cidade de Campo Formoso. Graças a uma parceria com a Binatural, uma empresa brasileira especializada em biodiesel, esses produtores conseguiram um aumento significativo na sua produtividade e renda, por meio de investimentos em mecanização e capacitação técnica.
Antes da introdução do novo maquinário, o processo de debulha do milho era feito manualmente, limitando a produção a apenas 20 toneladas por dia. No entanto, com a chegada das novas máquinas, a associação passou a processar impressionantes 80 toneladas diariamente, quadruplicando sua capacidade de produção. Além disso, essa eficiência permitiu a realocação de 15 colaboradores para funções mais estratégicas dentro da operação.
André Lavor, CEO da Binatural, ressalta a importância de apoiar iniciativas desse tipo: “A agricultura familiar é um elo essencial da cadeia de biocombustíveis. Parcerias como essa fortalecem o campo, criam oportunidades e contribuem para um modelo de produção mais justo e sustentável”, afirma Lavor. Para a Binatural, esse suporte não é apenas uma questão comercial, mas uma estratégia de desenvolvimento regional integrada.
Contratos Sustentáveis e Produção Aumentada
Os associados da Associação Cidadania Rural agora podem comercializar uma quantidade maior de produtos, incluindo vendas diretas para a Binatural. Essa estratégia não só eleva a renda dos agricultores, mas também fortalece a sustentabilidade do trabalho no campo, conforme explica Erielton Gonçalves Barros, diretor financeiro da associação. “Com a nova máquina, estamos vendendo mais, o que gera um impacto positivo na nossa receita”, destaca.
A associação ainda mantém contratos de fornecimento de mamona, uma planta oleaginosa, e sisal, uma fibra vegetal amplamente cultivada no Nordeste do Brasil. Atualmente, os números são impressionantes: 250 toneladas de mamona e 850 toneladas de sisal, que são divididas em três tipos diferentes. Essa dinâmica não apenas garante um escoamento consistente da produção local, mas também contribui para uma economia rural mais ativa.
O Papel do Selo Biocombustível Social
Os investimentos da Binatural foram realizados através da política pública do Selo Biocombustível Social, que visa incluir a agricultura familiar no mercado e assegurar um preço mínimo de compra para as matérias-primas. Nos contratos firmados, a colaboração vai além da compra de produto; ela inclui suporte contínuo de assistência técnica. Essa abordagem fortalece o desenvolvimento local e amplia as oportunidades financeiras dos produtores.
“Esses aportes garantem às cooperativas um fluxo de caixa estável e asseguram a dignidade dos produtores”, afirma Elaine Carvalho, Gerente de Sustentabilidade e Comunicação Integrada da Binatural. Ela ainda ressalta que tanto a mamona quanto o sisal são espécies rústicas, adaptadas ao clima local e com baixo custo de manejo, características que as tornam ideais para a região.
Valorização da Mão de Obra Local
A Binatural também investe em contratação de mão de obra local, valorizando a comunidade. Técnico agrícolas são alocados nas cooperativas para oferecer assistência contínua, assegurando a implementação de boas práticas agrícolas e apoiando a produção sustentável. Além disso, a associação promove cursos de capacitação para fortalecer a formação técnica e a qualificação profissional dos seus membros.
Os cursos incluem formação de tratoristas, operadores de máquina, práticas de economia solidária e empreendedorismo rural. Isso fortalece a autonomia dos agricultores e estimula a adoção de práticas sustentáveis. Com planos de adquirir novos equipamentos, como uma máquina para processamento de mamona e a construção de uma estrutura própria de beneficiamento, a Associação Cidadania Rural está cada vez mais se consolidando como uma força econômica na região.
Erielton finaliza: “A mecanização trouxe mais eficiência e dignidade ao nosso trabalho. Hoje, a agricultura familiar tem mais sustentabilidade e uma perspectiva de futuro muito mais promissora.”


