Desempenho do Setor de Cacau em 2025
O cenário do setor de moagem de cacau no Brasil apresentou um expressivo declínio em 2025, conforme dados divulgados pela Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) e analisados pela SindiDados e Campos Consultores. No total, a moagem atingiu 195.882 toneladas, um retrocesso de 14,6% em relação às 229.334 toneladas processadas em 2024. Este resultado aponta para uma desaceleração notável na atividade industrial relacionada ao cacau.
No último trimestre do ano, a tendência de queda foi mantida, com a moagem totalizando 51.816 toneladas entre outubro e dezembro, uma diminuição de 13,1% quando comparado ao mesmo período do ano anterior, que registrou 59.589 toneladas. Para Anna Paula Losi, presidente-executiva da AIPC, essa redução é um reflexo da combinação de custos elevados das matérias-primas e a baixa demanda por derivados de cacau, fatores que impactaram o ritmo operacional das indústrias.
Recebimento de Amêndoas Apresenta Aumento
Apesar da queda na moagem, o recebimento de amêndoas de cacau teve um leve crescimento em 2025. O volume totalizou 186.137 toneladas, registrando um aumento de 3,7% em relação ao ano anterior. No quarto trimestre, as entradas somaram 59.737 toneladas, o que representa um avanço de 9,7% se comparado ao mesmo período do ano anterior. Esta recuperação sugere uma maior disponibilidade de produto para o setor, encerrando o ano com uma perspectiva um pouco mais otimista.
Entre os estados produtores, os resultados foram variados. A Bahia expandiu suas entregas de 106,4 mil para 112,5 mil toneladas, uma alta de 5,7%, aumentando sua participação na produção nacional de 59,3% para 60,5%. O Espírito Santo teve um crescimento significativo, quase dobrando o volume recebido, passando de 5.968 para 10.054 toneladas. Rondônia também destacou-se com um aumento expressivo de 36,4%, passando de 1.316 para 1.795 toneladas. Em contrapartida, o Pará enfrentou uma queda nas entregas, reduzindo seu volume de 65,6 mil para 61,5 mil toneladas, o que resultou em uma diminuição de sua participação de 36,6% para 33,1%.
Desaceleração do Consumo Interno
A redução do consumo interno de derivados de cacau é alarmante. O volume comercializado no mercado brasileiro despencou de 177.669 toneladas em 2024 para 144.932 toneladas em 2025, o que representa uma queda de 18,4%. Essa diminuição supera a própria queda na moagem, evidenciando a fragilidade do mercado interno. Todas as categorias de produtos apresentaram retração significativa, como o liquor (-22,9%), manteiga de cacau (-23,9%), pó (-13,1%) e torta (-7,0%). Isso levou a indústria a operar abaixo de sua capacidade instalada durante o ano.
Movimentos no Comércio Exterior
No comércio exterior, as dinâmicas foram mistas. As importações de amêndoas de cacau aumentaram para 42.143 toneladas em 2025, um crescimento de 65,2% em comparação a 2024. No entanto, no último trimestre, não houve importações desse produto, após a entrada de 2.978 toneladas no mesmo período do ano anterior.
As importações de derivados de cacau tiveram um aumento modesto, passando de 41.189 para 42.844 toneladas, com esse crescimento concentrado principalmente nos fornecedores dos Estados Unidos e Países Baixos. Por outro lado, as exportações de derivados de cacau mostraram uma trajetória positiva, totalizando 52.951 toneladas, um crescimento de 5,4% em relação ao ano anterior. A Argentina permaneceu como o principal destino das exportações, com 21,3 mil toneladas, representando 40% do total enviado ao exterior. Os Estados Unidos e os Países Baixos também se destacaram, com exportações de 9,5 mil e 5,5 mil toneladas, respectivamente. Mercados como o Chile, México, Espanha e Uruguai continuam a ser destinos relevantes, reforçando a presença do Brasil na América do Sul.


