Verticalização e Sustentabilidade: Uma Parceria Necessária
O segmento imobiliário e a construção civil têm um papel fundamental no avanço do desenvolvimento sustentável. É essencial desfazer a ideia equivocada de que verticalização e sustentabilidade são antagônicas. A construção de prédios não apenas otimiza a utilização do espaço urbano, mas também proporciona mais residências, escritórios e comércios em áreas menores, promovendo uma urbanização mais eficiente. Em contraste, a expansão horizontal tende a consumir mais terras, muitas vezes ocupando áreas verdes e ampliando a demanda por infraestrutura urbana, como transporte, saneamento e energia elétrica, o que pode sobrecarregar os orçamentos públicos, desviando recursos que poderiam ser aplicados em setores como saúde e educação. Portanto, a verticalização se revela como uma estratégia eficaz para proteger o meio ambiente, melhorar a infraestrutura existente e desenvolver cidades mais inteligentes e conectadas.
A construção civil sustentável é, sem dúvida, uma realidade viável. Adotar materiais menos poluentes e que geram menos desperdício, implementar sistemas para captação de água da chuva, promover o reuso hídrico, investir em energia solar e automações, além de criar soluções para aproveitar a ventilação e iluminação naturais, são práticas que não apenas favorecem o uso racional dos recursos naturais, mas também contribuem para a redução das emissões de carbono. Isso resulta em empreendimentos mais confortáveis e tecnicamente robustos. Assim, a lógica da degradação pode ser substituída por uma abordagem regenerativa.
As diretrizes ESG (Ambientais, Sociais e de Governança) precisam ser incorporadas às políticas internas e estratégias das empresas, orientando as decisões desde a fase de concepção até a operação dos projetos. Certificações como LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), AQUÁ-HQE™ e EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies) são referências fundamentais que validam construções mais sustentáveis e eficientes. Elas não apenas auxiliam na diminuição dos custos operacionais, mas também favorecem a preservação ambiental, o bem-estar dos usuários e a valorização dos empreendimentos e de seu entorno. O respeito às comunidades vizinhas deve ser um valor intrínseco ao setor, refletindo um compromisso constante. Estudos de impacto de vizinhança e diagnósticos socioambientais possibilitam o desenvolvimento de projetos mais alinhados à realidade local.
A verticalização sustentável também fortalece o ciclo de investimentos públicos, transformando o desenvolvimento imobiliário em melhorias coletivas. Em Salvador, por exemplo, além da arrecadação do IPTU, uma parte significativa das receitas oriundas da Outorga Onerosa do Direito de Construir é direcionada ao Fundo Financeiro de Suporte às Políticas Públicas, conforme previsto no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU). Esse mecanismo assegura que os recursos arrecadados sejam aplicados em projetos de interesse social, mobilidade, infraestrutura urbana e preservação ambiental. Assim, a legislação garante que a arrecadação beneficie diretamente a população e o desenvolvimento urbano sustentável.
Empreendimentos que optam por certificações sustentáveis podem ter uma redução na contrapartida financeira da outorga de até 40%, além de proporcionarem aos futuros moradores descontos no IPTU. Essas iniciativas estimulam práticas construtivas responsáveis, ao mesmo tempo em que asseguram a arrecadação necessária para investimentos públicos estruturantes.
Relembrando as palavras de Norberto Odebrecht, “o desenvolvimento, por definição, tem que ser sustentável, ou não pode ser chamado de desenvolvimento”. Aplicar esses princípios no planejamento de empreendimentos resulta em cidades mais resilientes e eficientes, promovendo a união entre crescimento econômico, bem-estar social e preservação ambiental.


