Reflexões sobre Saúde Mental na Comunidade LGBTQIAPN+
Na última sexta-feira (16), o Centro de Referência LGBT+ Vida Bruno, situado no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, lançou o primeiro Circuito de Saberes de 2026. O encontro, que teve como tema “Janeiro Branco: reflexões sobre a saúde mental da comunidade LGBTQIAPN+ o ano inteiro”, é uma iniciativa da Prefeitura de Salvador, através da Secretaria Municipal da Reparação (Semur). Este evento faz parte das ações do Janeiro Branco, uma campanha nacional que visa promover a saúde mental e emocional de forma contínua durante todo o ano.
A atividade ofereceu um espaço de diálogo e reflexão, reunindo usuários do Centro para discutir os desafios enfrentados pela população LGBTQIAPN+. Este grupo é notoriamente mais vulnerável ao sofrimento psíquico, em virtude de diversas violências estruturais que incluem discriminação, LGBTfobia, exclusão social, rejeição familiar e religiosa, além de dificuldades no acesso a serviços de saúde adequados. Esses fatores estão associados a altos índices de problemas como ansiedade, depressão e até ideação suicida, especialmente entre as pessoas trans e travestis, bem como entre os jovens dessa comunidade.
A diretora municipal de Políticas e Promoção da Cidadania LGBT, Leo Kret do Brasil, ressaltou que essa roda de conversa é parte de uma agenda permanente desenvolvida no Centro Vida Bruno. Ela afirmou: “Essa roda de conversa propõe reflexões sobre a saúde mental da comunidade LGBTQIAPN+ e integra uma série de atendimentos e ações que realizamos aqui”. Segundo ela, o Centro é essencial para o acolhimento direto do público e a realização de atividades que fomentem a interação.
A Importância do Acolhimento e do Diálogo
Leo Kret enfatizou que o Centro conta com uma equipe multidisciplinar, incluindo profissionais de psicologia, assistência social e jurídicas, para atender as necessidades da população. “A saúde mental do público LGBT+ precisa ser discutida, uma vez que o preconceito é uma realidade diária, que permeia a vida em casa, na escola, na faculdade e no trabalho. Tudo isso impacta diretamente o psicológico”, completou.
Camila Carmo, gerente de Políticas da Cidadania LGBT+ da Semur, também comentou sobre o papel do Circuito de Saberes. Para ela, “esse espaço é fundamental para escuta e troca de experiências, além de fortalecer debates que envolvem a população LGBTQIAPN+. A temática da saúde mental é extremamente relevante, considerando o contexto de violências e silenciamentos que ainda marcam nossa sociedade”.
Camila ainda destacou que iniciativas como essa são essenciais para promover cuidados coletivos e formação de redes de apoio entre os participantes. “A roda de conversa reafirma o direito ao bem-estar e à dignidade, fortalecendo vínculos comunitários e ampliando estratégias de cuidado que respeitam as especificidades e potencialidades da diversidade”, concluiu.
O evento também contou com a presença do psicólogo Lelciu Muniz, que ministrou uma palestra sobre a importância de considerar as identidades sociais ao abordar a saúde mental. Ele sublinhou: “No Janeiro Branco, que promove o cuidado com a saúde mental, é imprescindível reconhecer que a comunidade LGBTQIAPN+ apresenta especificidades, com altos índices de sofrimento psicológico e exposição a violências que impactam diretamente sua saúde mental”.
Programação e Ações Futuras
O Centro de Referência LGBT+ Vida Bruno já tem agendado um próximo evento para o dia 23, com o tema “Educação Financeira: O Caminho que Pode Transformar Sonho em Conquista”. Este encontro terá como foco a orientação e fortalecimento da autonomia financeira da população LGBTQIAPN+.
O equipamento realiza uma programação contínua ao longo do ano, alinhada com datas e campanhas temáticas. Além das atividades do Janeiro Branco, o Centro também se prepara para o Dia Nacional da Visibilidade Trans, que será celebrado em 29 de janeiro, com ações que visam promover direitos e fortalecimento da cidadania da população trans.
“A divulgação dos nossos eventos é feita através das redes sociais do Centro de Referência e da Semur, além de grupos de WhatsApp voltados ao público LGBTQIAPN+”, finalizou Leo Kret do Brasil.


