Bahia: Um Polo de Produção Queijeira
No dia 20 de março, celebra-se o Dia Mundial do Queijo, uma iguaria amplamente apreciada e consumida em todo o mundo. Na Bahia, essa data ganha um significado especial, visto que o estado tem se destacado na produção e conquista de premiações nacionais e internacionais pela qualidade de seus queijos. Com raízes que remontam ao século XVI, a tradição queijeira baiana é fruto da influência europeia trazida pelos colonizadores, que introduziram técnicas de fabricação que perduram até os dias atuais.
Em 2024, a Bahia registrou uma produção impressionante de 1,3 bilhão de litros de leite, o que, aliado à diversidade do bioma que abrange a Mata Atlântica, a Caatinga e o Cerrado, tem sido determinante para a variedade de queijos disponíveis no estado. São elaborados desde queijos tradicionais, como requeijão, coalho, queijo de cabra e muçarela de búfala, até inovações que incorporam ingredientes locais como umbu, araçá e licuri.
A Importância da Cadeia do Leite na Bahia
Paulo Emílio Torres, assessor técnico da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), ressalta a importância do setor agroindustrial na Bahia. O estado abriga 185 agroindústrias dedicadas ao beneficiamento do leite e derivados, o que o torna o segmento mais expressivo do setor agroindustrial, superando áreas como o de produtos de abelhas, carne, ovos e pescado.
“Esses números não apenas evidenciam a abrangência da atividade leiteira, mas também o papel fundamental da agroindustrialização do leite e seus derivados, especialmente o queijo, na geração de valor e renda para as economias locais. É crucial destacar que esses empreendimentos operam sob rigorosa inspeção sanitária, predominantemente com o apoio do Serviço de Inspeção Estadual (SIE), garantindo a qualidade e segurança alimentar dos produtos”, afirma Torres.
Além das agroindústrias formais, a produção artesanal de queijo tem ganhado espaço significativo, além de sua relevância econômica. Torres observa que “essa prática tem se tornado uma política pública inclusiva, valorizando a pequena produção regional e contribuindo para a preservação dos saberes tradicionais”.
“Esse movimento não só promove a evolução técnica e reconhecimento do saber local, mas também reforça a identidade cultural dos queijos da Bahia. É um sinal claro de crescimento e afirmação dessa tendência gastronômica, tanto no estado quanto em todo o Brasil”, conclui.
Uma História Cultural e Gastronômica
O Dia Mundial do Queijo não é apenas uma celebração da iguaria, mas também um movimento cultural inspirador, influenciado em larga escala por países europeus, como Portugal, França, Itália, Suíça e Holanda. Esses países são historicamente reconhecidos pela tradição e excelência na produção e apreciação do queijo. A origem do queijo remonta a um acidente curioso: pastores que transportavam leite em bolsas feitas do estômago de animais, especificamente o abomaso, acabaram descobrindo que o leite se transformava em uma massa sólida e saborosa, separando-se em soro e queijo.
A fabricação de queijo, ao longo dos séculos, evoluiu a partir de um conhecimento prático, incorporando avanços científicos e tecnológicos, resultando na diversidade de queijos que conhecemos hoje. Um exemplo notável é o queijo Pule, o mais caro do mundo, que é feito a partir do leite de jumentas da raça Balkan e que pode alcançar preços superiores a 5 mil euros por quilo devido à sua produção extremamente limitada.
A Produção Queijeira no Brasil
No Brasil, a trajetória da produção de queijo é intimamente ligada ao período colonial, quando o produto já era amplamente diversificado na Europa. Com a chegada de Tomé de Sousa à Bahia no século XVI, vacas leiteiras das ilhas de Cabo Verde foram trazidas para garantir o suprimento de leite para os colonos e alunos do primeiro colégio jesuíta do Brasil. A partir daí, a produção de queijos tornou-se uma estratégia vital para a conservação do leite, especialmente em regiões sem acesso a meios modernos de refrigeração.
Em suma, a Bahia não apenas celebra a produção de queijos no Dia Mundial do Queijo, mas se destaca como um modelo de excelência e diversidade na fabricação desse alimento tão apreciado globalmente. A combinação de tradição, inovação e respeito ao saber fazer local posiciona o estado como um dos principais polos queijeiros do Brasil.


