Mudanças no Panorama dos Clássicos
O Ba-Vi, realizado no último domingo, marcou o 505º encontro da história e o 31º a acontecer com torcida única. Essa nova configuração se torna uma realidade para metade dos clássicos das Séries A e B do Campeonato Brasileiro em 2026. Essa mudança não é uma exclusividade do Ba-Vi, já que os seis clássicos entre os quatro grandes clubes de São Paulo também são disputados sob a mesma regra.
Na Segunda Divisão, situações semelhantes surgem nos jogos entre Náutico e Sport, além dos confrontos que envolvem os principais clubes de Goiás. Nessa nova estrutura, os clássicos do Rio de Janeiro, que incluem nove duelos, junto com os grandes em Belo Horizonte, Porto Alegre e Coritiba, seguem mantendo a presença das duas torcidas na Série A. Já na Série B, os jogos de Ceará contra Fortaleza e Avaí contra Criciúma ainda ocorrem com ambas as torcidas.
Um Passado Marcado pela Violência
A adoção da torcida única tem raízes em episódios de violência que marcaram o futebol brasileiro. O ponto de virada aconteceu em 9 de abril de 2017, quando uma briga generalizada resultou na apreensão de 45 torcedores antes de um Ba-Vi na Arena Fonte Nova. Após esse evento trágico, que culminou na morte de um homem e deixou outro ferido em uma confusão nas proximidades do estádio, a necessidade de medidas mais rigorosas tornou-se evidente.
Diante da situação, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), seguindo as recomendações do Ministério Público da Bahia, estabeleceu a realização do Ba-Vi com torcida única. Essa recomendação vigorou por seis jogos, ou quase um ano, até que, em 2 de fevereiro de 2018, o MP avaliou os resultados positivos em termos de segurança e permitiu a volta das duas torcidas. Entretanto, essa flexibilização durou pouco.
Retorno à Torcida Única Após Novos Conflitos
No dia 18 de fevereiro de 2018, o primeiro Ba-Vi do ano, que deveria ser conhecido como o “clássico da paz”, acabou se transformando em uma nova briga generalizada entre jogadores dentro do Barradão. A Polícia Militar, antes da partida, já havia registrado confrontos entre as torcidas, o que levou o Ministério Público da Bahia a recomendar novamente a torcida única para os clássicos baianos, medida que se mantém até hoje.
Outras Regiões Também Adotam a Medida
O estado de São Paulo, por sua vez, optou pelo modelo de torcida única desde abril de 2016, após uma violenta briga entre torcedores corintianos e palmeirenses que resultou na morte de um fã. Desde então, esse formato tem sido utilizado nas partidas entre os grandes clubes do estado.
No estado de Goiás, a situação também é reflexo de episódios de violência, levando o Ministério Público a argumentar a necessidade de reestruturação do estádio Serra Dourada. A discussão sobre a torcida única começou antes de um Vila Nova x Goiás em outubro de 2017, mas aquele clássico foi realizado com duas torcidas. Desde 2018, no entanto, a regra de torcida única se tornou a norma.
Essas mudanças no futebol brasileiro refletem um esforço contínuo para aumentar a segurança nos estádios e proporcionar um ambiente mais seguro para os torcedores. À medida que a temporada avança, a expectativa é que outras federações considerem a adoção de medidas semelhantes, visando preservar a integridade dos fãs e do esporte em si.


