Desafios de João Campos
João Campos, do PSB, se posiciona como candidato ao governo de Pernambuco, apesar das oscilações nas pesquisas e da diminuição de sua vantagem em relação aos concorrentes. “Ele não pode mais recuar”, comentou um aliado em conversa recente. A trajetória política de Campos se torna cada vez mais complexa, e várias decisões estratégicas estão em jogo.
A movimentação nos bastidores aponta para a desincompatibilização em abril como a opção mais viável. A discussão agora vai além das eleições de outubro, envolvendo planejamentos mais abrangentes até 2026. O foco não é apenas derrotar Raquel Lyra (PSD), mas também assegurar a força política de um grupo que já governa a capital e possui influências em mandatos proporcionais pelo estado. Isso é essencial para garantir robustez nas eleições de 2030, mesmo que o pleito deste ano não seja favorável.
Embora as pesquisas indiquem que Campos ainda está à frente, sua vantagem, que antes beirava os 40 pontos percentuais, agora se restringe a uma margem entre 15 e 20 pontos. As recentes curvas nas sondagens geram preocupação na equipe do candidato. Campos observa a governadora Raquel Lyra avançar, impulsionada por sua gestão e pela entrega de obras, enquanto ele perde terreno. No entanto, a equipe acredita que a tendência atual não é determinante e defende a continuidade da campanha.
A saída da prefeitura representa uma decisão difícil: renunciar a uma posição bem avaliada e confortável para enfrentar uma governadora no cargo. Contudo, a desincompatibilização começa a ser vista menos como um risco pessoal e mais como uma estratégia política necessária. Para o PSB, ficar de fora dessa disputa pode ter consequências severas. Uma eleição sem Campos pode desmobilizar chapas proporcionais, fragilizar lideranças regionais e minar a influência do partido nos próximos anos. O próprio futuro de Campos também estaria em jogo, considerando o impacto negativo de uma ausência nesta corrida.
A Lição da Bahia
Neste contexto, o exemplo de ACM Neto (União) aparece como um alerta. Em 2018, ACM Neto, então prefeito de Salvador e liderando as intenções de voto, optou por não se candidatar ao governo da Bahia. Ele decidiu manter seu foco na gestão municipal até 2020, deixando para disputar o governo apenas em 2022. Essa decisão, inicialmente lógica, teve consequências indesejadas. Embora tenha conseguido concluir seu mandato e eleger um sucessor, sua base política se fragmentou em sua ausência. Alguns aliados perderam a eleição, enquanto outros ficaram descontentes pela falta de comprometimento em momentos essenciais.
Quando chegou a hora da disputa em 2022, ACM Neto enfrentou dificuldades, especialmente com a forte candidatura de Lula (PT) apoiando o PT local, o que tornou sua situação política delicada. Sua decisão de não concorrer em 2018 acabou por prejudicá-lo novamente na corrida de 2022, resultando em uma derrota no segundo turno.
A interpretação dentro do PSB de Pernambuco é clara: João Campos já fez várias promessas e articulações que o levaram a um ponto sem retorno. Abandonar a candidatura agora poderia desgastá-lo e minar suas chances futuras. Portanto, a estratégia é seguir adiante, mesmo que isso implique riscos.
Uma Disputa Desafiadora
A ausência de Campos na disputa pode impactar negativamente a lealdade de seus aliados e a capacidade de mobilização de sua base. Em política, a conexão em rede é fundamental. Assim, mesmo em um cenário de competitividade acirrada, a maior parte da equipe acredita que a candidatura de Campos é não apenas desejável, mas necessária.
A eleição promete ser acirrada, apresentando riscos para ambos os lados. Raquel Lyra se beneficia de seu cargo, enquanto Campos confia na força de seu grupo e na memória positiva que a capital tem dele. Nenhum dos candidatos entra na disputa em uma posição confortável. O que se desenha é uma campanha tensa, equilibrada e cheia de surpresas, onde cada movimento será crucial.


