Desafios do Agronegócio e Mudanças Climáticas em Debate
Nesta sexta-feira, 30, o Centro de Convenções de Feira de Santana recebeu o segundo dia da 3ª Conferência Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (CEDRSS). O evento contou com a presença de delegados e delegadas dos 27 territórios de identidade da Bahia, que discutiram temas cruciais para o futuro do agronegócio no estado.
A conferência foi estruturada em cinco eixos temáticos: emergência climática, agroecologia, acesso à terra e água, direitos sociais e a importância das políticas públicas para o rural. Os grupos de trabalho se concentraram em debater as dificuldades enfrentadas pela agricultura familiar na Bahia, buscando elaborar propostas de políticas públicas que serão apresentadas na Conferência Nacional, que ocorrerá em Brasília.
Em entrevista ao Folha do Estado, Vasco Agusole, membro do Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural e Sustentável e integrante da Comissão Organizadora do evento, ressaltou que, nesta quinta-feira, serão eleitos 58 delegados que levarão as propostas à etapa nacional. Ele também enfatizou que o governo baiano tem investido consideravelmente em políticas públicas que atendam às necessidades dos trabalhadores rurais, com foco em agroindústrias.
“A Bahia é o estado que mais avança em investimentos e organização da Agricultura Familiar. Essa modalidade é responsável por 70% dos alimentos consumidos pelos baianos e brasileiros. Temos mais de 700 mil propriedades cadastradas, e o governo estadual tem investido em circuitos de comercialização e na promoção das pequenas agroindústrias. Além disso, a Bahia abriga a maior feira de agricultura familiar do Brasil. O governo tem se mostrado receptivo às demandas de cada território e está em busca de investimentos tanto do governo federal quanto de outras fontes. É fundamental que a sociedade civil exerça sua função de cobrança para que possamos avançar ainda mais”, explicou Agusole.
Vasco também fez um alerta sobre os desafios globais discutidos na conferência, destacando o crescimento do agronegócio e o uso indiscriminado de produtos químicos nas lavouras. “Atualmente, enfrentamos um problema sério relacionado ao agronegócio irresponsável, que utiliza pesticidas proibidos em outros países. Esses produtos são prejudiciais à saúde e poluem os rios. O pequeno agricultor que opta por métodos orgânicos enfrenta grandes dificuldades, pois, muitas vezes, os venenos são aplicados por via aérea, o que dificulta ainda mais sua produção”, afirmou.
A agricultora Ana Lúcia, do Território Sertão do Francisco, localizado em Juazeiro, no Norte da Bahia, compartilhou os desafios que as famílias rurais enfrentam com a chegada de grandes empreendimentos na região. “Hoje, a maior dificuldade é a presença de grandes projetos nas comunidades rurais. O desenvolvimento sustentável indica que as famílias do campo não precisam de grandes empreendimentos para gerar energia ou explorar minérios. No entanto, muitos estão sendo desalojados de seus territórios, enfrentando ainda problemas como a precariedade das estradas e a escassez de água. As conferências têm promovido mudanças e a implementação de políticas públicas em nossos territórios”, relatou Ana.
Participantes indígenas também marcaram presença na conferência. Yara Rosa, que participa do evento pela primeira vez, destacou a importância de elaborar propostas que promovam a preservação ambiental. “Enfrentamos diversas dificuldades, mas nossa principal preocupação é a conservação da natureza e o uso consciente da água e da terra”, concluiu.


