Inovação e Empreendedorismo no Setor Agrícola
No dia 29 de janeiro, a Embrapa Agroindústria Tropical promoveu o primeiro encontro de 2026 do evento temático Café com Negócio, abordando o tema “Empreendedorismo de base tecnológica: como startups inovadoras estão revitalizando o agronegócio”. O evento foi um espaço para que especialistas e profissionais discutissem como a ciência pode ir além das pesquisas, trazendo inovações tecnológicas concretas para o setor agropecuário.
Durante a apresentação, Gonçalo Apolinário de Souza Filho, diretor da Agência de Inovação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (AgiUENF), compartilhou a trajetória da agência, ressaltando casos de sucesso vinculados ao empreendedorismo científico. Ele contextualizou a atual situação da inovação no Brasil, destacando que, apesar do grande potencial inovador do país, ainda existem desafios estruturais que dificultam a transformação de conhecimentos tecnológicos em soluções práticas. “A inovação no Brasil está em um processo de expansão, com potencial para gerar mudanças significativas, especialmente na qualidade de vida da população”, afirmou o diretor.
Desafios da Inovação e Empreendedorismo no Brasil
Gonçalo explicou que, enquanto a pesquisa científica resulta na produção de descobertas e artigos, a pesquisa tecnológica pode levar a invenções que são passíveis de patenteamento. A verdadeira inovação, porém, acontece quando esse conhecimento é convertido em produtos ou serviços disponíveis para a sociedade, acompanhados da devida validação de mercado, um aspecto ainda pouco explorado no ambiente acadêmico brasileiro. Essa deficiência contribui para que menos de 2% dos doutorandos no Brasil optem por abrir suas próprias empresas, um indicativo de um gargalo na formação científica excessivamente focada na carreira acadêmica. “Se mais doutores se inclinassem ao empreendedorismo, poderiam surgir empresas capazes de gerar empregos e oferecer soluções ao mercado”, avaliou.
A AgiUENF tem como missão conectar a universidade ao setor empresarial e ao governo, promovendo o empreendedorismo, gerenciando a política de inovação e desenvolvendo talentos, parcerias e projetos na região Norte Fluminense. A agência também busca aproximar a pesquisa do setor produtivo, além de gerir e proteger a propriedade intelectual e facilitar a transferência de tecnologias. O Parque Tecnológico Agropecuário da UENF (PARTEC) é um exemplo de ambiente de inovação, que apoia projetos, startups, incubadoras e aceleradoras, estimulando a pesquisa aplicada e promovendo negócios sustentáveis que unem produtores, empresas, universidades e investidores.
Inovação como Pilar no Agronegócio
Apesar de o agronegócio brasileiro já ter alcançado recordes de produção, Gonçalo acredita que ainda há muito espaço para aumentar a produtividade. A inovação se apresenta como uma necessidade essencial para o setor. Novas tecnologias têm o potencial de melhorar simultaneamente a produtividade e a qualidade, além de reduzir custos e impactos ambientais.
As startups de base tecnológica desempenham um papel fundamental nesse cenário, dada sua capacidade de testar soluções de forma ágil, o que se torna um diferencial competitivo significativo. “Essas empresas, geralmente compostas por jovens abertos às inovações e conectados com soluções globais, têm a agilidade de experimentar, errar e ajustar, escalando rapidamente quando encontram um modelo eficaz. Essa dinâmica é crucial em um ambiente de constantes transformações, exigindo ousadia e rapidez para enfrentar os desafios do setor”, destacou o palestrante.
O Crescimento do Ecossistema de Startups Agropecuárias
Durante sua apresentação, Gonçalo também traçou um panorama do ecossistema de startups agropecuárias no Brasil, que tem mostrado um crescimento notável nos últimos anos. Categorias como agfintechs, biotechs, climatetechs, marketplaces e soluções diretamente voltadas para a agricultura têm ganhado destaque. O Nordeste, em especial, tem atraído a atenção de investidores, não apenas pelo avanço tecnológico, mas também por suas demandas ambientais e sociais, alinhadas à agenda ESG. As inovações trazidas por essas startups têm o potencial de impactar positivamente a vida das pessoas ao seu redor.
A Importância das Instituições Públicas de Pesquisa
As instituições públicas de pesquisa, incluindo universidades e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs), desempenham um papel crucial na promoção da inovação tecnológica, atuando na geração de conhecimento científico, formação de profissionais qualificados e transferência de tecnologias para o setor produtivo. Elas funcionam como intermediárias, transformando descobertas em produtos e tecnologias acessíveis ao mercado, embora ainda enfrentem diversos desafios nesse processo.
Segundo Gonçalo, é essencial contar com ambientes tecnológicos estruturados que auxiliem na transformação de ideias em produtos viáveis. Incubadoras, parques tecnológicos e hubs colaborativos permitem que startups compartilhem recursos, reduzindo custos e riscos, e criando condições mais favoráveis para o desenvolvimento de soluções inovadoras. “A colaboração entre o setor produtivo estabelecido e as instituições públicas é fundamental para o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas, e esse apoio governamental tem se mostrado significativo”, concluiu.
O Café com Negócios e sua Relevância no Setor
O projeto Café com Negócios, coordenado pela área de Transferência de Tecnologias da Embrapa Agroindústria Tropical, oferece uma plataforma para diálogo e interação entre pesquisadores e profissionais do ecossistema de inovação do Ceará. Em seu terceiro ano de execução, a iniciativa visa debater de forma integrada inovação, cultura e agronegócio, buscando identificar alternativas para ampliar a adoção das tecnologias desenvolvidas pela Embrapa e prospectar novas oportunidades de pesquisa, negócios e parcerias estratégicas. Em 2025, sete encontros foram realizados, reunindo diversas instituições de pesquisa e ensino do Ceará e de outros estados.


