Passagem de Rafah e Consequências Humanitárias
No último domingo (1º), Israel anunciou a reabertura parcial da passagem de Rafah, na Faixa de Gaza, que vai para o Egito, permitindo a saída de moradores do território palestino. Essa reabertura é crucial para a entrada de ajuda humanitária, conforme preconizado no plano de paz assinado entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Tel Aviv e o grupo Hamas em outubro. O Cogat, departamento do Ministério da Defesa israelense responsável por assuntos civis em Gaza, afirmou que a fase piloto da reabertura ocorre em colaboração com a missão da União Europeia (Eubam) e outras autoridades competentes. Porém, não houve informações sobre a passagem de ajuda humanitária, o que levantou preocupações sobre a real intenção por trás da decisão.
O trânsito de pessoas pela passagem deve ser autorizado a partir de segunda-feira (2), mas o Egito e a Jordânia se manifestaram contra a medida, classificando-a como uma tentativa de deslocar a população palestina. Durante uma reunião em Cairo, o presidente egípcio, Abdul Fatah Al-Sisi, e o rei Abdullah II da Jordânia reiteraram a posição de rejeição às tentativas de deslocamento dos palestinos de suas terras. Esse posicionamento reflete a preocupação das lideranças árabes sobre os direitos dos palestinos em meio ao conflito.
Atualmente, cerca de 20 mil pessoas em Gaza aguardam a reabertura da fronteira para buscar tratamentos médicos no Egito. A falta de acesso a cuidados de saúde adequados tem gerado um estado de emergência. Mohammed Shamiya, de 33 anos, que sofre de uma doença renal e necessita de diálise, expressou seu desespero, afirmando que “a cada dia que passa, meu estado piora e minha vida me escapa”.
Médicos Sem Fronteiras e Interrupção das Atividades
Israel também anunciou que a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) terá que suspender suas operações na Faixa de Gaza, devido à recusa da ONG em fornecer uma lista de seus funcionários palestinos, uma exigência imposta pelo governo israelense. O Ministério da Diáspora de Israel argumentou que essa regra se aplica a todas as instituições humanitárias operando na região. Em uma nota publicada, a MSF criticou essa decisão, afirmando que é um “pretexto para impedir a ajuda humanitária” e ressaltou a necessidade de assistência médica em Gaza.
A medida gerou críticas e levantou questões sobre a transparência e a verdadeira motivação por trás do veto às atividades da MSF em Gaza. A suspensão ocorre em um momento crítico, onde a população enfrenta um aumento na violência e escassez de recursos básicos. O ministro israelense da Diáspora havia afirmado em dezembro que 37 organizações humanitárias, incluindo a MSF, estavam sob risco de proibirem suas atividades após não apresentarem informações detalhadas sobre seus colaboradores.
Conflito Contínuo em Gaza e Reações Internacionais
Enquanto isso, o conflito em Gaza continua a se intensificar. No último sábado (31), Israel lançou um de seus ataques aéreos mais severos na região, resultando na morte de pelo menos 32 pessoas, incluindo três crianças. Essa escalada de violência ocorre mesmo após a declaração de um cessar-fogo. Segundo dados, o número de civis mortos durante a guerra já ultrapassa a marca de 25 mil, um reflexo da gravidade da situação humanitária.
Os próximos passos do plano de paz de Trump para Gaza incluem a proposta de entrega da administração a tecnocratas palestinos, o desarmamento do Hamas e a retirada das tropas israelenses do território. No entanto, o Hamas rejeitou o desarmamento até agora, e Israel deixou claro que usará a força se o grupo não ceder pacificamente.
As reações internacionais, especialmente da comunidade árabe, continuam a se intensificar à medida que a situação em Gaza se deteriora. A reabertura da passagem de Rafah, embora vista como um passo positivo, é envolta em controvérsias e desafios, destacando a complexidade do conflito e a luta pela sobrevivência da população civil.


