Desafios do Semiárido Baiano
Atualmente, um dos principais desafios enfrentados pela população da Bahia é a seca. No último ano, aproximadamente 2 milhões de pessoas sofreram com os efeitos da estiagem, conforme informações da Superintendência de Proteção e Defesa Civil (Sudec). Em resposta a essa grave situação, a Fundação Índigo, sob a liderança do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), organizou, na noite de quinta-feira (5), o evento “SOS Bahia: Caminhos para transformar a realidade do semiárido baiano”, realizado em Irecê, no centro-norte do estado.
Durante o evento, ACM Neto criticou os governos do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia, afirmando que medidas concretas para mitigar os impactos da seca têm sido negligenciadas. Ele destacou que “85% do território baiano está no semiárido. Metade da população do estado reside nessa região. Ao olharmos para os últimos 20 anos sob a gestão do PT, não vemos o início, muito menos a conclusão, de grandes obras que fortaleçam a segurança hídrica no semiárido baiano. Não existe uma barragem que tenha sido iniciada e finalizada durante o governo do PT. Municípios estão sem água para abastecimento humano, produção animal e cultivo de alimentos. O pequeno agricultor foi abandonado, sem apoio técnico, linhas de crédito e acesso à água”, declarou.
Reconhecimento de Emergência e Dificuldades Locais
Devido à severidade da seca, em abril do ano passado, mais de 70 municípios na Bahia tiveram sua situação de emergência por estiagem reconhecida pelo governo federal. Dados do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) apontam que as localidades em situação de estiagem são aquelas que enfrentam um longo período com pouca ou nenhuma chuva, resultando em uma perda de umidade do solo que supera sua reposição.
No evento realizado em Irecê, a comunidade local relatou ter enfrentado a seca mais extrema dos últimos 40 anos no final do ano passado. Pecuaristas expressaram dificuldades em manter seus rebanhos e solicitaram apoio tanto do governo estadual quanto do federal para fortalecer o Programa de Distribuição de Milho.
A Crítica ao Governo Federal
O ex-ministro da Integração Nacional durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PSDB), também esteve presente e criticou a falta de atenção do governo federal na luta contra a seca. Ele argumentou que “o Brasil carece de um projeto estratégico para enfrentar os desafios do semiárido, que é um reduto de miséria e pobreza para a população mais vulnerável do país. Embora a pobreza também exista nas periferias das grandes cidades, a miséria mais intensa se concentra no semiárido do Nordeste”, enfatizou.
Ciro Gomes também lamentou a lentidão de dois projetos essenciais para aliviar a situação da seca. Ele mencionou o Canal do Sertão Baiano, que, segundo ele, “não sai do papel”, e o Projeto de Irrigação Baixio de Irecê, que está em andamento, mas ainda enfrenta atrasos. “São apenas dois lotes em execução, de um total de nove. É crucial assegurar o abastecimento humano, algo que ainda não está garantido”, acrescentou.
Desertificação e Chamado à Ação
O ex-governador da Bahia, Paulo Souto, alertou que algumas regiões do estado já enfrentam um processo avançado de desertificação, ressaltando a necessidade de priorizar essa problemática. Ele afirmou: “É admirável que o país mobilize-se em relação à Amazônia, mas não observo movimentos semelhantes para abordar as questões do Nordeste, especialmente do semiárido. Este é um problema que afeta diretamente a vida de muitas pessoas, sobretudo as mais vulneráveis.” Ele fez um apelo por um projeto de “salvação” do Rio São Francisco.
Ao final do evento, uma carta-compromisso foi apresentada, contendo diversas propostas para enfrentar a seca, como a colocação do semiárido no centro das prioridades políticas e orçamentárias, a retomada de uma política robusta de segurança hídrica e a conclusão de projetos estratégicos, incluindo o Canal do Sertão Baiano, os Baixios de Irecê e o Projeto Salitre.


