Críticas à Política Monetária do Banco Central
A recente resolução aprovada pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) elevou as críticas à autonomia do Banco Central (BC) e à sua política monetária. O documento, que foi apresentado na última sexta-feira (6) durante uma reunião em Salvador e divulgado no sábado (7), também expressou apoio à Venezuela e Cuba, caracterizando a postura internacional como uma reação a pressões externas.
O PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, argumenta que a taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, deve ser reduzida. O texto considera a atuação da autoridade monetária como um empecilho para a implementação do projeto político do partido, destacando que a política atual está aquém das necessidades de desenvolvimento do país.
Os membros do partido acreditam que a autonomia do BC, vigente desde o governo Jair Bolsonaro, transformou a política monetária em um mecanismo que restringe o crescimento econômico. O documento critica a “financeirização da economia”, que, segundo eles, tem drenado recursos públicos e limitado investimentos produtivos.
A resolução afirma que “é o momento de reduzir a taxa de juros”, enfatizando que a taxa elevada prejudica o investimento e limita a expansão econômica. O conselho do PT é claro ao afirmar que continuará pressionando por uma mudança na política de juros nos próximos meses, indicando uma jornada intensa por transformações nesse campo.
Expectativas para o Futuro da Política Monetária
Atualmente, a expectativa é que o Comitê de Política Monetária (Copom) inicie um ciclo de cortes na taxa de juros em sua próxima reunião, marcada para março. No entanto, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, que foi indicado por Lula, tem sido criticado por membros do partido por não acelerar a redução da Selic.
Recentemente, Lula compartilhou em entrevista ao portal UOL que mantém conversas frequentes com Galípolo sobre a taxa elevada de juros, afirmando que o país é “feliz” por tê-lo na liderança do BC. Essa relação próxima entre o presidente e o dirigente da autoridade monetária é vista como crucial para alinhar as expectativas do governo com as diretrizes econômicas.
Apoio à Venezuela e Cuba em Meio a Tensões Externas
Na parte do documento que aborda a política externa, o PT deixou claro que o Brasil não deve aceitar “qualquer tentativa de interferência externa” na autodeterminação dos povos. O texto condena os ataques à Venezuela e as ameaças à soberania cubana, sem mencionar especificamente os Estados Unidos, mas fazendo referência a um histórico de ingerência na América Latina.
Essa posição reflete uma tentativa do partido de reafirmar sua identidade e compromissos políticos diante de um cenário internacional conturbado. O apoio à Venezuela e Cuba é interpretado como uma estratégia para fortalecer laços com nações que enfrentam pressões externas.
Regulamentação do Ambiente Digital e Combate a Fake News
Outro aspecto essencial abordado na resolução é a necessidade de regulamentar o ambiente digital antes das próximas eleições. O PT argumenta que as redes sociais e as grandes plataformas se tornaram arenas políticas propensas à disseminação de desinformação. O documento ressalta que “o espaço digital não pode ser território de manipulação nem instrumento de ataque às instituições”.
Nesse sentido, o partido pede um esforço coletivo para combater as fake news e o uso ilegal de inteligência artificial, visando garantir eleições “verdadeiramente democráticas e transparentes”. O engajamento do PT em questões digitais reflete a crescente preocupação com a integridade da informação e o impacto da tecnologia no processo democrático.


