Uma Inovação Sustentável na Agricultura
A crescente popularidade das cervejarias artesanais no Espírito Santo tem gerado uma quantidade significativa de bagaço de malte, um subproduto que pode ser valorizado na agricultura. Na Unidade de Referência em Agroecologia (URA) do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), localizada em Domingos Martins, esse resíduo é utilizado para a elaboração de fertilizantes orgânicos. A iniciativa visa beneficiar agricultores com práticas mais econômicas e sustentáveis, além de promover uma destinação ambientalmente correta para o material residual.
O bagaço de malte é rico em nitrogênio e está amplamente disponível em várias regiões do Brasil, com custo relativamente acessível. Na URA, o bagaço, doado por uma cervejaria local, passa por um processo de fermentação que resulta em um composto orgânico conhecido como bokashi, amplamente utilizado na adubação de hortaliças, frutas e outras plantas cultivadas em sistemas agroecológicos.
Jhonatan Marins, pesquisador e coordenador da unidade, destaca a importância do bagaço de malte na formulação do fertilizante: “Além de fornecer nitrogênio na forma de matéria orgânica, o bagaço também serve como fonte de energia para os microrganismos envolvidos no processo de fermentação”, esclarece. Essa função é essencial para garantir a eficácia do bokashi, que precisa ser adequadamente acidificado. Sem esse processo, o material pode apodrecer, comprometendo sua qualidade.
Composição e Eficiência dos Fertilizantes Orgânicos
Atualmente, o bagaço de malte é incorporado a misturas que incluem diversos resíduos orgânicos, como cascas de café, cascas de banana e folhas de leguminosas, além de biomassa vegetal triturada. Essa combinação não apenas favorece a fermentação, mas também resulta em um fertilizante que é estável e eficiente, adaptando-se às necessidades específicas das culturas.
O pesquisador ainda ressalta que a utilização do bagaço de malte pode substituir insumos convencionais e mais dispendiosos, como o farelo de trigo, frequentemente empregado em compostos orgânicos. “O bagaço tem a mesma função, mas a um custo consideravelmente menor, facilitando a viabilidade econômica para os agricultores”, afirma Marins.
Na URA, o biofertilizante já está sendo aplicado em áreas de hortaliças e, mais recentemente, no cultivo de milho. O próximo passo é expandir a produção do bokashi e investigar sua eficácia em diferentes culturas e contextos agrícolas. “Estamos planejando criar uma biofábrica de baixo custo, capaz de gerar grandes quantidades de fertilizante, tanto para uso interno na URA quanto para fornecer a propriedades externas”, explica o coordenador. O intuito é calcular os custos e demonstrar a eficiência agronômica do insumo em sistemas orgânicos e agroecológicos.
Crescimento do Interesse e Capacitação Agrícola
O interesse dos agricultores pela tecnologia do bokashi tem aumentado consideravelmente. “Muitos produtores têm nos procurado para entender melhor essa experiência. Nossa meta é implementar unidades demonstrativas em propriedades rurais e facilitar o acesso a esse tipo de fertilizante”, complementa Marins.
Em breve, será realizado um Dia de Campo sobre a produção de fertilizantes a partir do bagaço de malte, onde os produtores poderão aprender sobre o processo. Aqueles interessados podem agendar uma visita à URA pelo e-mail jhonatan.goulart@incaper.es.gov.br. O local está situado no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano (CPDI Serrano), na Fazenda do Estado, em Aracê, Domingos Martins, próximo à BR-262, km 94.


