O Crescimento do Cultivo de Frutas Vermelhas
A Chapada Diamantina, famosa pela produção de cafés especiais, hortaliças e flores, está se destacando nas últimas décadas como um local inovador para a agricultura, especialmente no cultivo de frutas vermelhas. Embora a produção ainda seja modesta, o avanço é notável, impulsionado pelo clima ameno e pela adaptação de técnicas de manejo de clima temperado às condições locais. Além disso, o mercado de frutas premium está em plena expansão, o que favorece ainda mais essa transformação agrícola.
Um exemplo emblemático dessa nova fase é o produtor Javier Marciel, que já possui 113 hectares de cultivo de mirtilo na região serrana do Rio de Janeiro. Recentemente, ele decidiu investir em uma nova fazenda de 150 hectares, totalmente dedicada ao plantio dessa fruta, na cidade de Piatã, localizada na Chapada Diamantina. Javier optou por variedades de mirtilo que requerem menos frio e buscou orientações na Embrapa Clima Temperado, além de viajar ao Peru para aprender sobre as técnicas de manejo utilizadas pelo maior exportador de mirtilos do mundo.
Desafios e o Potencial da Região
Durante sua pesquisa, Javier observou que, apesar das condições climáticas favoráveis da Chapada, o principal desafio é o acesso à água. Ele planeja fazer as instalações de forma gradual, visando um manejo responsável dos recursos hídricos. A região conta com água subterrânea de boa qualidade, e o acesso a essa fonte está sendo cuidadosamente regulamentado. O preparo do solo começou há dois anos, e atualmente, 20 hectares já foram plantados, com a expectativa de que todo o projeto esteja em produção em até cinco anos.
Dados da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri-BA) revelam que a Chapada Diamantina consegue produzir entre 200 e 400 toneladas de morangos anualmente, concentrando-se em municípios como Mucugê, Ibicoara e Morro do Chapéu. Frutas como a amora-preta e a framboesa também estão sendo exploradas, muitas vezes em projetos menores que visam a produção artesanal de alimentos, como geleias, somando menos de cem toneladas por ano. O mirtilo, por sua vez, é a mais recente adição a esta lista, mas já está atraindo a atenção de produtores que buscam diversificar suas culturas e atender um mercado que valoriza produtos de alta qualidade.
Inovações e Oportunidades para Pequenos Produtores
O agrônomo Paulo Sérgio Ramos, da Seagri, destaca que uma das estratégias em desenvolvimento é a criação de estruturas coletivas e unidades-piloto. Essas iniciativas visam proporcionar aos pequenos produtores acesso a novas tecnologias, como o cultivo de morango suspenso, que pode melhorar significativamente a produtividade e a qualidade do produto. Isso representa uma oportunidade valiosa para aqueles que buscam alternativas de cultivo em um mercado cada vez mais competitivo.
Na cidade de Ibicoara, por exemplo, a agricultora Isabel Fernandes da Costa decidiu apostar na amora-preta como uma alternativa às hortaliças. Isabel relata que parte de sua produção é destinada à indústria, enquanto a outra parte é utilizada na fabricação de geleias artesanais, que são vendidas para turistas e comércios locais. Essa diversificação não só agrega valor ao produto, como também atende a uma demanda crescente por alimentos artesanais e de qualidade.
Com um mercado promissor e condições favoráveis, a Chapada Diamantina se consolida cada vez mais como um local estratégico para o cultivo de frutas vermelhas. O investimento em técnicas adequadas, o respeito ao meio ambiente e a valorização do trabalho local são fundamentais para que essa região continue a prosperar no setor agrícola.


