Homenagem Surpreendente para um Empresário Controverso
No cenário político da Bahia, a Assembleia Legislativa recentemente homenageou Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e atual proprietário do Banco Pleno, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC) no dia 18 de outubro. Lima, conhecido como Guga, é uma figura que navega habilidosamente por diversas esferas políticas do estado, estabelecendo conexões que vão do Partido dos Trabalhadores (PT) ao Partido Liberal (PL).
No ano passado, Lima foi agraciado com a mais alta honraria da Assembleia, a Comenda Dois de Julho, reconhecendo sua contribuição para o desenvolvimento do Will Bank e do Banco Master. Entretanto, poucos meses após essa homenagem, ambas as instituições estariam sujeitas à liquidação pelo BC, programada para ocorrer em novembro de 2025 e janeiro de 2026.
O deputado estadual Vitor Azevedo (PL), responsável pela proposta da comenda, destacou em sua apresentação que “Augusto Ferreira Lima é, antes de tudo, filho da Bahia”. Ele enfatizou a importância do Banco Master na aquisição do Will Bank, que se destaca com mais de 9 milhões de clientes, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Azevedo ressaltou ainda que a parceria entre as duas instituições é vital para a inclusão financeira da população de baixa renda no Brasil.
Surpreendentemente, a concessão da comenda a Lima ocorreu de maneira bastante rápida. O projeto foi apresentado por Azevedo em 17 de dezembro de 2024 e aprovado em sessão plenária no mesmo dia, sem objeções. Em contrapartida, uma tentativa anterior do deputado Sandro Régis (União Brasil) de homenagear Lima em 2023 foi abruptamente cancelada, sem maiores explicações.
A Comenda Dois de Julho e Seus Significados
A Comenda Dois de Julho é uma distinção que homenageia personalidades que contribuíram significativamente para a política e administração do estado da Bahia. A Assembleia Legislativa descreve a comenda como uma homenagem a aqueles que lutam pelas liberdades do povo baiano.
A proximidade de Lima com figuras influentes do PT, como os ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner, é notável. Costa, atualmente ministro da Casa Civil, e Wagner, que lidera o governo Lula no Senado, são aliados políticos que fortaleceram a rede de relacionamentos do empresário ao longo dos anos.
A trajetória de Lima no setor bancário começou com a aquisição da Credcesta, uma empresa de crédito consignado, durante uma privatização em 2018, ainda sob o governo de Rui Costa. A Credcesta, incorporada ao Banco Master em 2019, habilitou Lima a se consolidar como um destaque no meio financeiro.
Em uma manobra ousada, Lima também adquiriu a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) após dois leilões infrutíferos. A Ebal, anteriormente proprietária da rede de supermercados Cesta do Povo, era conhecida por oferecer produtos a preços subsidiados. Essa aquisição permitiu a Lima manter a operação da Cesta do Povo e expandir suas atividades comerciais.
Menos de um mês após a aquisição, o governo da Bahia autorizou que servidores públicos e pensionistas realizassem compras na Cesta do Povo usando recursos do programa de crédito consignado da Credcesta, uma decisão que propiciou um crescimento significativo para a empresa em um curto período.
Desafios e Controvérsias na Carreira de Lima
A conexão de Lima com políticos de diversas vertentes, incluindo figuras do centro e da direita como Antonio Carlos Magalhães Neto, vice-presidente do União Brasil, e João Roma, ex-ministro do governo Bolsonaro, demonstra sua habilidade em transitar por diferentes esferas políticas.
Entretanto, a trajetória de Lima não é desprovida de controvérsias. No mesmo dia em que a liquidação do Banco Pleno foi anunciada, recordamos que a transferência do controle societário do Banco Voiter para Lima, que passou a operar como Banco Pleno, foi aprovada pelo BC apenas alguns meses antes.
Recentemente, Lima enfrentou um grande revés: foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras supostamente ligadas ao Banco Master. Sua defesa expressou surpresa com a prisão, argumentando que ele havia se afastado de suas funções executivas no Master em maio de 2024.
Assim, o futuro de Augusto Lima se desenha em meio a uma combinação complexa de honrarias, polêmicas e uma rede de relacionamentos que o posiciona como uma figura central no cenário político e econômico da Bahia.


