Impacto da Liquidação do Banco Pleno
Na quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, o Banco Central (BC) anunciou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A., abrangendo também a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM). Essa decisão afeta diretamente cerca de 160 mil credores, que detêm um total de R$ 4,9 bilhões em depósitos qualificados para a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Com esse movimento, o impacto gerado por um escândalo financeiro atrelado ao conglomerado Banco Master ultrapassa os R$ 51 bilhões, sem contar os empréstimos emergenciais já concedidos pelo fundo.
Motivos da Liquidação e Questões Regulatórias
O Banco Central justifica a liquidação devido ao comprometimento da saúde financeira do Banco Pleno. A deterioração da liquidez da instituição e a violação das normas regulatórias foram fundamentais para essa decisão. O Banco Pleno, classificado no segmento S4 de regulação prudencial, que inclui conglomerados de menor porte, possui uma participação modesta no Sistema Financeiro Nacional (SFN), com 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais, conforme dados do BC.
Apesar de sua diminuta fatia no mercado, a instituição apresentava uma significativa captação através de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), o que ampliava sua exposição ao FGC. Dados recentes indicam que, em junho de 2025, o patrimônio líquido do Banco Pleno era de R$ 672,6 milhões, com um lucro líquido de R$ 169,3 milhões e um passivo total de R$ 6,68 bilhões, sendo R$ 5,4 bilhões apenas em CDBs. No mercado secundário, esses papéis eram negociados a 165% do CDI no fim de 2025, o que refletia o alto risco percebido pelos investidores.
Processo de Pagamento e Garantias
Em relação aos credores, o FGC confirmou que o Banco Pleno possui cerca de 160 mil clientes com depósitos elegíveis, totalizando R$ 4,9 bilhões. Os pagamentos serão efetuados conforme as diretrizes do fundo, a partir de informações coletadas pelo liquidante designado pelo Banco Central. O FGC recomendou que os credores utilizem o Aplicativo FGC, disponível na Apple Store e Google Play, para se registrarem e solicitarem a garantia.
O processo de indenização seguirá as etapas: levantamento e validação dos dados pelo liquidante, disponibilização da base ao FGC, solicitação digital da garantia pelo credor e, por fim, o depósito na conta do beneficiário. O valor máximo garantido é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição financeira.
Impacto Bilionário e Medidas do Setor Financeiro
Com a liquidação do Banco Pleno, as garantias ligadas ao escândalo do conglomerado Master totalizam aproximadamente R$ 51,8 bilhões, incluindo R$ 40,6 bilhões do Banco Master e suas instituições associadas, além de R$ 6,3 bilhões do Will Bank. Até o dia 18 de fevereiro de 2026, o FGC já havia pago cerca de R$ 37,2 bilhões, representando 92% do total previsto.
Para reequilibrar o caixa do sistema, o setor financeiro discute a possibilidade de medidas extraordinárias, incluindo a antecipação de contribuições das instituições por até sete anos e o aumento das contribuições mensais entre 30% e 60% por um período de cinco anos.
A História do Banco e Suas Reestruturações
A liquidação do Banco Pleno marca o fim de uma longa trajetória de reestruturações. A instituição, que teve sua origem no Banco Indusval, fundado em 1970, passou por várias transformações. Após a crise financeira de 2009, novos investidores entraram, levando a reestruturações e à venda de operações deficitárias. Em 2020, a entidade foi rebatizada como Banco Voiter, e, em 2024, adquirida pelo conglomerado do Banco Master.
Relação entre Controladores e Investigações em Andamento
A atual propriedade do Banco Pleno pertence a Augusto Lima, empresário estreitamente ligado a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Em 2019, Lima integrou o conglomerado Master com o negócio de crédito consignado Credcesta, que ampliou a atuação do grupo no setor. Contudo, após vender sua participação em 2024, Lima passou a controlar o Banco Voiter, renomeado para Banco Pleno em 2025.
Após a liquidação, Lima herdou um passivo de cerca de R$ 6 bilhões, com alta concentração em CDBs. Para garantir a operação do banco, ele teria injetado cerca de R$ 600 milhões de seus próprios recursos, mas essa medida não se mostrou suficiente. A restrição do BC à emissão de novos CDBs limitou ainda mais as opções de rolagem das dívidas.
As investigações em curso, que levaram à prisão de Lima e Vorcaro na Operação Compliance Zero, revelaram fraudes em carteiras de crédito e estruturas societárias complexas. Ambos foram liberados, mas o escândalo resultou na liquidação de várias instituições associadas ao conglomerado Master, como o Banco Master, Master de Investimento e Will Bank, entre outros.


