Nova Geração Musical Emergem na Bahia
A Axé Music, que floresceu nos anos 1980, continua a ser reverenciada por ícones como Carlinhos Brown e Daniela Mercury. Contudo, o movimento não apresentou uma renovação nos últimos anos e, para alguns, chegou ao seu fim. Em uma entrevista ao Metrópoles, o renomado músico e produtor Jonga Cunha expressou sua opinião de que a Axé Music, como a conhecemos, não tem mais espaço na cena atual.
“A nova geração da Axé Music não existe. Esse movimento acabou. Ele teve seu momento por mais de 30 anos, mas eu acho que já vivemos um pós-Axé Music”, afirmou Jonga, em um desabafo que reflete a preocupação de muitos na indústria musical.
Para esclarecer a situação, Jonga destacou que a Axé Music não é apenas um estilo musical, mas sim um movimento cultural e social que abrange múltiplos gêneros. “O axé não é um gênero musical. É um guarda-chuva que abriga dezenas de ritmos e estilos. Talvez seja o maior movimento dos dois últimos séculos do Brasil”, opinou, ressaltando a importância cultural do gênero.
O músico ainda disse sobre a identidade da cidade de Salvador. “Salvador é uma cidade de três milhões de habitantes. É a cidade com maior população negra, de forma absoluta, no mundo, fora da África. A cultura negra se desenvolveu no dia a dia da sociedade e ganhou voz. A gente vive em uma cidade negra em todos os aspectos, na festa e no jeito de ser”, declarou, enfatizando a riqueza cultural da região.
O Que é o Pós-Axé Music?
A diversidade musical da Bahia continua a se expandir, mas agora sob a influência de novas tendências mais digitais e tecnológicas. Gêneros como o newpagode, o groove arrastado e o pagotrap estão marcando presença e representando a nova fase da música baiana. Apesar da falta de um nome específico que defina esse movimento, a força dessa nova onda musical é inegável, como explica o radialista e produtor artístico Anselmo Costa.
“Todo mundo acha que a Bahia é só axé, mas não é verdade. A turma que saiu do Pelourinho, com a revolução digital e novos projetos culturais, como o Àttooxxá, Rachel Reis, Luedji Luna, Baco Exu do Blues, Filhos de Jorge e Baiana System, conseguiu voar alto. São artistas que inovaram e renovaram os ritmos”, compartilha Costa, destacando a evolução do cenário musical.
O cenário atual reflete uma mudança significativa, onde a tradição da Axé Music se transforma, e novos artistas se consolidam na indústria. Cada um desses novos nomes traz uma proposta fresca e contemporânea, provando que a música baiana está longe de ser estática.
Assim, mesmo com a ideia de que a Axé Music pode ter chegado ao fim, a nova geração não apenas resgata a essência cultural da Bahia, mas também a reinventa. A cultura baiana continua a pulsar, adaptando-se e inovando em tempos de mudança. O futuro da música na Bahia, portanto, parece promissor, com um leque diversificado de estilos emergindo e se entrelaçando com as tradições que ainda reverberam nas ruas e festas da capital baiana.


