A estratégia da Petrobras para garantir a produção nacional de fertilizantes em um momento de incertezas globais
A escalada do conflito no Oriente Médio trouxe à tona a importância dos fertilizantes para o agronegócio brasileiro. Diante da instabilidade internacional, a Petrobras intensificou a produção de fertilizantes nitrogenados, abastecendo diversas regiões do Brasil com ureia e amônia fabricadas no Nordeste.
As plantas da estatal localizadas na Bahia e em Sergipe, que estavam inativas desde 2023 após a administração pela Unigel, voltaram a funcionar nos últimos meses. Atualmente, essas unidades operam próximas de sua capacidade máxima. Em Sergipe, a produção de amônia atinge cerca de 1.250 toneladas por dia, enquanto a de ureia chega a 1.800 toneladas diárias, totalizando aproximadamente 90% da capacidade. Já na Bahia, a produção de ureia supera 95% do potencial, alcançando 1.300 toneladas diariamente.
Os fertilizantes produzidos são destinados a clientes em estados como Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, enquanto a amônia é majoritariamente utilizada pelo polo petroquímico de Camaçari e outros compradores da região.
Esse movimento acontece em um momento delicado. Em 2025, o Brasil importou cerca de 7,7 milhões de toneladas de ureia, sendo aproximadamente 35% desse volume proveniente de países do Oriente Médio. Somente do Irã vieram cerca de 2%. Considerando Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, o total alcançou 2,7 milhões de toneladas.
Especialistas afirmam que o aumento da produção interna pode ajudar a mitigar choques externos e reduzir a incerteza no mercado. No entanto, o Brasil ainda se mantém dependente das importações, o que mantém os preços vulneráveis a possíveis bloqueios comerciais ou interrupções logísticas.
Rumo à autossuficiência parcial
A Petrobras tem planos de expandir a participação da produção nacional nos próximos anos. A reativação da Araucária Nitrogenados (Ansa), localizada no Paraná, está prevista para o primeiro trimestre de 2026. Com essa unidade, a estatal poderá atender cerca de 20% da demanda brasileira de ureia, já que a capacidade estimada é de 720 mil toneladas anuais de ureia e 475 mil toneladas de amônia.
No Mato Grosso do Sul, a conclusão da UFN-3, em Três Lagoas, está em fase de contratação, com a decisão final de investimento programada para o primeiro semestre de 2026. O objetivo é atingir 35% da demanda nacional de fertilizantes com todas as unidades operacionais.
A retomada das fábricas faz parte de uma diretriz defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca reduzir a dependência externa em insumos estratégicos.
Mesmo com o avanço na produção, o cenário ainda é desafiador. Analistas lembram que os produtores rurais já enfrentavam dificuldades na relação de troca entre milho e fertilizantes, muito antes da atual crise internacional. Com as tensões globais crescendo, o ambiente de incerteza no setor se amplia.
Embora a produção nacional de fertilizantes esteja em ascensão, o mercado permanece atento às flutuações do cenário internacional, que pode impactar diretamente a disponibilidade e os preços dos insumos essenciais para o agronegócio brasileiro.


