Percepção da Economia Brasileira Piora
A percepção dos brasileiros sobre a economia nacional se deteriorou nos últimos meses, revertendo parte da melhora observada em 2025, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha. O estudo revelou que 46% dos entrevistados avaliam que a situação econômica do país se agravou entre dezembro do ano passado e março deste ano, um aumento em relação aos 41% registrados na pesquisa anterior.
O levantamento, que entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios entre os dias 3 e 5 de março, mostra uma mudança significativa no sentimento dos cidadãos. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. Enquanto isso, a avaliação positiva sobre a economia caiu de 29% para 24% no mesmo período.
Esse pessimismo não é restrito a um grupo específico, já que a insatisfação foi observada em todas as faixas de renda, exceto entre indivíduos que ganham mais de dez salários mínimos, onde a insatisfação chega a 69%. Entre os evangélicos, a taxa de pessimismo é de 57%, enquanto entre os católicos é de 41%. Empresários mostram-se ainda mais preocupados, com 65% afirmando que a situação se deteriorou.
Piora na Expectativa Econômica
A pesquisa também aponta que 35% dos entrevistados acreditam que a economia do país vai piorar nos próximos meses, um aumento significativo em relação aos 21% que compartilhavam dessa visão em dezembro. A expectativa de melhora na economia, por outro lado, caiu de 28% em julho para 30% na nova pesquisa, refletindo uma tendência geral de desconfiança entre os cidadãos.
Quando analisamos a situação por grupos, observa-se que o otimismo é maior entre aqueles com renda de até dois salários mínimos (33%) em comparação aos que ganham mais de dez salários mínimos (11%). Além disso, a pesquisa revelou que no Nordeste, 36% dos entrevistados esperam uma melhora, contrastando com 25% no Sudeste. Entre eleitores de Lula, a expectativa de melhora é de 51%, enquanto apenas 14% dos que pretendem votar em Flávio Bolsonaro compartilham desse sentimento.
Avaliação do Governo
Apesar do crescimento do pessimismo em relação à economia, a avaliação do governo Lula permaneceu estável, com 32% de aprovação. A avaliação negativa subiu de 37% para 40%, mas ainda dentro da margem de erro. O início do ano foi marcado por uma desaceleração econômica, acompanhada por altas taxas de juros e o aumento do endividamento das famílias e empresas, além de uma melhora em alguns indicadores de renda e inflação.
Endividamento e Pessimismo Pessoal
A pesquisa também revela um aumento na insatisfação e no pessimismo em relação à situação financeira pessoal dos entrevistados. O percentual de pessoas que consideram que sua própria situação econômica piorou subiu de 26% para 33%. Enquanto isso, a proporção de indivíduos que acredita que sua situação melhorou caiu de 36% para 30%.
Além disso, a expectativa em relação ao futuro se deteriorou: 14% dos entrevistados estão pessimistas sobre a sua situação futura, um aumento em relação aos 10% registrados em dezembro. Em contraste, o otimismo caiu de 60% para 51% entre os entrevistados desde o final de 2025.
Desemprego e Inflação
O levantamento também abordou a percepção sobre o desemprego, e 48% dos entrevistados acreditam que a taxa de desemprego irá aumentar. Este é o maior patamar registrado até agora na atual administração, embora esteja empatado com números anteriores. Por outro lado, apenas 21% acreditam que o desemprego irá diminuir.
No que diz respeito à inflação, 61% dos brasileiros esperam um aumento nos próximos meses, um percentual que se mantém estável ao longo do último ano. No entanto, no mercado financeiro, as expectativas são de uma queda gradual da inflação, com projeções indicando um IPCA de 3,91% até o final de 2026.
Por fim, a pesquisa não apontou impactos claros da reforma do Imposto de Renda nas percepções sobre a situação econômica pessoal. Entre as pessoas isentas, 28% afirmam que sua situação melhorou, enquanto o percentual aumenta entre aqueles que se beneficiaram das novas isenções.


