Provisão e Resultados Financeiros
A Casas Bahia reportou um prejuízo líquido de R$ 1,529 bilhão no quarto trimestre, resultado que se deve em grande parte a uma provisão de Imposto de Renda diferido no valor de R$ 1,45 bilhão. Esse período também foi caracterizado por uma significativa redução no endividamento e uma expansão nas receitas e margens da varejista.
Segundo Elcio Ito, diretor financeiro da empresa, essa provisão foi adotada após a realização de testes de estresse, considerando as incertezas geopolíticas e os riscos potenciais relacionados à inflação e às taxas de juros. Ao comentar sobre a decisão, Ito afirmou à Reuters que, por motivos de prudência e conservadorismo, a companhia optou por essa ação, que, vale ressaltar, não impacta as contas em termos de caixa imediato, mas é uma estratégia voltada para cenários econômicos mais adversos.
Desempenho Sem a Provisão
Desconsiderando a provisão, a varejista teria registrado um prejuízo de R$ 79 milhões, uma melhora em relação à perda de R$ 452 milhões do ano anterior. O balanço financeiro ainda revelou despesas com vendas e administrativas na ordem de R$ 1,9 bilhão, um aumento de apenas 0,4%, enquanto o resultado financeiro negativo ficou em R$ 557 milhões durante o período.
Um ponto positivo é que as despesas financeiras caíram em relação ao mesmo trimestre de 2024, quando totalizaram R$ 921 milhões. Essa redução ocorre em um contexto em que a empresa finalizou a reestruturação de seu endividamento, levando a uma diminuição da dívida líquida ajustada para R$ 1,13 bilhão, comparado a R$ 4,48 bilhões do trimestre anterior. A alavancagem, medida pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado, caiu para 0,4 vez, de 1,9 vez no terceiro trimestre.
Projeções para o Futuro
“Tivemos uma redução de 75% da dívida líquida entre o terceiro e o quarto trimestres. Isso foi um passo fundamental para reposicionar a companhia em um novo balanço a partir de agora”, afirmou Ito, que também destacou a consistência nos resultados operacionais da empresa.
No quarto trimestre, a receita líquida da Casas Bahia cresceu 6,1%, atingindo R$ 8,471 bilhões. O crescimento do GMV consolidado foi de 8,7%, totalizando R$ 13,1 bilhões. As lojas físicas mantiveram um GMV estável, enquanto as vendas nas mesmas lojas aumentaram em 2,6%. O desempenho do e-commerce foi notável, com uma expansão de 21,7%.
Expectativa para 2026
Embora não tenha fornecido detalhes sobre o desempenho das vendas no início deste ano, Ito garantiu que a companhia continua a crescer e ganhar participação de mercado. Ele enfatizou que 2026 pode trazer eventos positivos, embora o cenário macroeconômico permaneça desafiador, com taxas de juros elevadas.
O executivo também mencionou o impacto potencial da isenção de Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5 mil, bem como a importância da Copa do Mundo, que poderá influenciar o consumo no segundo trimestre. As eleições também foram citadas como um fator que pode estimular um aumento no consumo e revitalizar a economia.
“Identificamos vários fatores que podem ser favoráveis para a companhia ao longo do ano”, acrescentou Ito.
Aumento do Crediário
Além disso, Ito revelou que a Casas Bahia tem um plano significativo para ampliar o crediário nas vendas. No quarto trimestre, a carteira de crediário alcançou R$ 6,6 bilhões, um crescimento de 7% em relação ao ano anterior, com a inadimplência acima de 90 dias em 8,6% e uma perda líquida de 4,6%.
“Nosso objetivo é expandir o crédito, pois isso impulsiona as vendas. Contudo, precisamos fazer isso de maneira sustentável. Existe uma forte demanda por crédito, mas devemos agir com cautela em função do cenário macroeconômico e dos índices de inadimplência, para evitar problemas futuros”, finalizou.


