O XXII Cortejo do Dia Nacional da Poesia em Salvador
Na última sexta-feira, 13 de março, Salvador amanheceu com uma atmosfera poética, acolhendo o XXII Cortejo do Dia Nacional da Poesia. Este evento, que reúne artistas da palavra, educadores, estudantes e apaixonados pela literatura, percorreu as ruas do centro da cidade, proporcionando ao público uma verdadeira celebração da literatura, música e teatro. O homenageado dessa edição foi o cineasta e escritor baiano Glauber Rocha, figura emblemática da cultura nacional.
O cortejo teve início na Praça da Piedade, seguindo até a Praça Castro Alves, onde o público pôde desfrutar de recitais de textos autorais, performances cênicas e apresentações musicais dedicadas a grandes ícones da literatura brasileira. A festa, cheia de alegria e emoção, incluiu um bolo gigante e um “parabéns” coletivo, celebrando o legado de figuras como Carolina Maria de Jesus, Abdias do Nascimento e o próprio Castro Alves, que compartilham a mesma data de nascimento, dando origem ao Dia da Poesia.
Apoio à Arte e Inclusão Cultural
De acordo com Douglas de Almeida, pedagogo e arte-educador e um dos organizadores do evento, a proposta é estreitar laços entre a poesia e as pessoas, levando arte para o espaço urbano. “A poesia é uma expressão artística extremamente necessária. Quando realizamos um trabalho que invade as ruas, atingimos pessoas que, por diversos motivos, não têm a oportunidade de acessar galerias ou livrarias. A arte tem o poder de salvar”, afirmou Almeida, que também dirige a Biblioteca Infantojuvenil Betty Coelho, colaboradora do projeto.
O poeta e ator Marcos Peralta, que deu vida ao poeta Castro Alves durante o cortejo, enfatizou a relevância desse movimento cultural nas ruas. “Estamos celebrando a 22ª edição deste projeto e isso é uma grande felicidade. Como poeta, trago a beleza da poesia e, mais importante, a compreensão dela como instrumento de libertação e transformação social”, destacou Peralta.
A Homenagem à Educação e à Cultura
Peri Rudá, que representou Glauber Rocha, também abordou a importância da educação nesse contexto. “É uma honra estar aqui com amigos celebrando a cultura. Além de manter a poesia viva, trazemos arte para as crianças e adolescentes que estão aprendendo”, avaliou o ator.
A professora e poeta Jeane Sanches, que se caracterizou como Carolina Maria de Jesus, ressaltou a relevância da arte nas ruas. “Ela foi uma pioneira na literatura feminina e negra no Brasil. Portanto, sinto que é meu dever compartilhar a poesia dessa grande escritora com o público que muitas vezes não tem acesso a ela”, lembrou Sanches com entusiasmo.
Um Legado de Mais de Duas Décadas
O XXII Cortejo do Dia Nacional da Poesia contou com o apoio fundamental da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult/BA). Esta edição teve a participação de instituições como a Biblioteca Prometeu Itinerante, Colégio Estadual Teodoro Sampaio, Colégio Estadual Ypiranga e Colégio Estadual Senhor do Bonfim, que se uniram para celebrar a cultura local.
Além disso, marcaram presença no evento grupos como o Coletivo de Poetas Além das 7 Praças, Movimento Exploesia, Movimento Poetas ao Ar Livre, Movimento Sociedade Unificadora de Professores, Movimento Arte Poesia, Companhia Teatral A Pombagem e Polo de Atores e Brincantes de Ipitanga.
Mais do que uma simples homenagem à literatura, o cortejo reforçou o papel da poesia como um meio de expressão coletiva. Entre cores vibrantes e sons envolventes, os versos ecoaram pelas ruas de Salvador, lembrando a todos que a palavra também tem seu espaço na cidade.


