Iniciativa Reforça a Proteção da Citricultura
Entre os dias 9 e 13 de março, a região do Litoral Norte e Agreste Baiano foi palco da Caravana Fitossanitária dos Citros, que atraiu a atenção de produtores rurais, estudantes e profissionais do setor. Essa área é reconhecida como uma das mais importantes para a produção de citros na Bahia, sendo uma atividade fundamental para a economia local.
As atividades da caravana foram conduzidas por equipes técnicas da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), que estiveram presentes em vários municípios, como Alagoinhas, Inhambupe, Aporá, Acajutiba e Entre Rios. O objetivo era disseminar informações cruciais sobre a identificação e prevenção de doenças que podem afetar a produção citrícola, contribuindo para a saúde das lavouras e a sustentabilidade econômica da região.
Durante a ação, abordaram-se temas relevantes, como o cancro cítrico e o HLB, também conhecido como greening. Estas doenças são consideradas algumas das principais ameaças à citricultura, causando danos severos às plantações. O cancro cítrico, provocado por uma bactéria, gera lesões nas folhas, ramos e frutos, o que compromete a qualidade e causa a queda prematura dos frutos. Por outro lado, o HLB, que é atualmente a enfermidade mais devastadora para a citricultura mundial, resulta em frutos deformados, amadurecimento irregular e diminuição da produtividade das plantas.
Ainda não há registro dessas doenças na Bahia, mas a manutenção desse status sanitário é vital para a citricultura local. A presença de tais enfermidades poderia trazer sérios prejuízos, impactando diretamente na produção e, consequentemente, na economia das comunidades que dependem do cultivo de citros. Por isso, ações de orientação e vigilância fitossanitária são essenciais para prevenir a introdução dessas pragas no estado.
Outro aspecto discutido durante a caravana foi a importância do transporte adequado de mudas e frutos. O trânsito irregular de material vegetal de áreas onde essas doenças estão presentes pode facilitar a disseminação das pragas em regiões livres delas.
Vinicios Videira, diretor de Defesa Sanitária Vegetal da Adab, destacou que “a atuação preventiva é uma das estratégias mais eficazes para garantir o status fitossanitário do estado. Ao oferecer informações de qualidade aos produtores e demais envolvidos na cadeia produtiva, fortalecemos a vigilância, minimizamos os riscos de introdução de pragas quarentenárias e contribuímos diretamente para a sustentabilidade e competitividade da citricultura baiana”.
As atividades da caravana abrangiam não apenas citricultores, mas também responsáveis técnicos, estudantes de cursos técnicos agrícolas, transportadores, comerciantes e embaladores, ampliando assim a educação sanitária na região. Essa abordagem é especialmente importante na Bahia, onde a agricultura familiar tem um papel significativo na produção de citros.
De acordo com a engenheira agrônoma Suely Brito, coordenadora do Programa Fitossanitário dos Citros da Adab, “cerca de 80% da produção de citros no estado é proveniente de pequenas propriedades, muitas das quais ainda carecem de assistência técnica contínua. Assim, é fundamental levar informações sobre a prevenção de pragas e o manejo apropriado das lavouras”.
Durante a caravana, as comunidades rurais beneficiadas receberam orientações valiosas de equipes da Adab, com o apoio da Cooperativa Agropecuária Mista da Região de Alagoinhas (Coopera), utilizando estratégias de educação sanitária para capacitar os agricultores locais. A caravana foi parte das atividades da Diretoria de Defesa Sanitária Vegetal (DDSV) da Adab, que se dedica ao monitoramento de pragas agrícolas, à fiscalização do transporte de mudas e produtos vegetais, além de acompanhar as áreas produtoras do estado. Este esforço visa impedir a entrada de doenças que possam ameaçar a produção agropecuária da Bahia.


