O Papel do Cuscuz na Economia Baiana
No dia 19 de outubro, comemora-se o Dia Mundial do Cuscuz, que celebra não apenas a tradição de um dos pratos mais emblemáticos do Nordeste, mas também sua significativa contribuição para a geração de renda e fortalecimento da agricultura familiar. Reconhecido como patrimônio imaterial da humanidade pela Unesco, o cuscuz vem impulsionando cadeias produtivas que envolvem o beneficiamento do milho, especialmente no estado da Bahia.
No município de Araci, localizado no Território do Sisal, a Cooperativa de Produção e Comercialização (COOPAC) destaca-se como um exemplo de sucesso no processamento de milho não transgênico. Com a marca Parangu, essa cooperativa tem se especializado na produção de flocão, um ingrediente fundamental para o preparo do cuscuz, que se tornou uma opção versátil e presente nas mais diversas refeições.
Investimentos que Transformam Vidas
Recentemente, a COOPAC recebeu um investimento superior a R$ 2 milhões do Governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR). Esse aporte financeiro possibilitou a requalificação da unidade, aquisição de novos equipamentos e fornecimento de assistência técnica, permitindo que a produção alcançasse cerca de 18 toneladas mensais. Essa iniciativa beneficia cerca de 120 cooperados e gera empregos formais, contribuindo de maneira significativa para a economia local.
Com a mudança na abordagem de venda, os produtores deixaram de comercializar o milho in natura para focar no processamento, o que agregou valor ao produto e ampliou a renda das famílias envolvidas. Atualmente, os produtos da cooperativa são comercializados em várias cidades baianas e até mesmo fora do estado, ampliando o alcance e a visibilidade do cuscuz.
Cooperativas em Destaque no Mercado
Outro exemplo importante é a Cooperativa Agropecuária Mista Regional de Irecê (Copirecê), que opera sob a marca Puro Milho. Esta cooperativa tem uma produção mensal de 120 toneladas de flocão não transgênico, incluindo variedades de milho tradicional e crioulo vermelho. Assim como a COOPAC, a Copirecê também recebe apoio do Governo do Estado, com investimentos que ultrapassam R$ 9,7 milhões, beneficiando cerca de 3 mil cooperados e gerando 50 empregos diretos.
A diversidade de produtos derivados do milho oferecidos por essa cooperativa é distribuída em diferentes regiões do país, aumentando ainda mais a presença do cuscuz na alimentação brasileira. As iniciativas dessas cooperativas não apenas garantem o abastecimento e a valorização do cuscuz como produto cultural, mas também atuam como motores de desenvolvimento econômico e inclusão produtiva no semiárido baiano.
O Cuscuz como Símbolo da Cultura e da Economia
Essas ações ressaltam a importância do cuscuz, que se estabelece não apenas como um símbolo cultural da região, mas também como um agente de transformação econômica das comunidades rurais. Ao fomentar a agricultura familiar e promover o processamento de produtos locais, o cuscuz se torna uma chave para a melhoria da qualidade de vida e do fortalecimento da economia no interior da Bahia.


