O Cenário Empresarial Baiano e Seus Desafios
Quem não se recorda de grandes marcas que marcaram presença no mercado baiano, como os “Supermercados Paes Mendonça” e “Banco Econômico”? Essas e muitas outras empresas, como “Duas Américas” e “Fratelli Vitta”, desapareceram com o tempo, deixando um vácuo no cenário econômico do estado. Essa realidade suscita uma reflexão profunda sobre a sustentabilidade das empresas na Bahia.
Embora a lista de empresas que não conseguiram se manter no mercado seja extensa, a Bahia também se destaca por seu vibrante polo industrial. Setores tradicionais, como o petroquímico em Camaçari e a agroindústria no oeste baiano, ganham força. Além disso, a geração de energia solar e eólica e o setor metalúrgico estão em ascensão, assim como hubs de inovação que fomentam o surgimento de startups focadas em soluções digitais.
Razões para a Alta Taxa de Mortalidade Empresarial
A alta mortalidade empresarial, por sua vez, é influenciada por diversos fatores, incluindo a macroeconomia, mudanças nos hábitos de consumo, avanços tecnológicos, além de altas taxas de juros e elevado nível de endividamento. Contudo, um aspecto frequentemente negligenciado é a sucessão nas empresas familiares. Muitas vezes, esses negócios não conseguem sobreviver quando seus fundadores se afastam. Surge a dúvida: é preferível transmitir o controle a um herdeiro ou contratar um profissional do mercado? Não existe uma resposta definitiva. O que realmente importa é a meritocracia, ou seja, é crucial que o sucessor possua as habilidades e competências necessárias para liderar a empresa e enfrentar desafios futuros.
É fundamental que a busca por um sucessor externo seja considerada apenas após a exploração de todas as opções internas disponíveis. A decisão de optar por familiares ou profissionais externos deve se basear em uma avaliação criteriosa das qualificações e dos fatores intangíveis que influenciam a compatibilidade entre os candidatos e as necessidades da empresa. Isso inclui a cultura organizacional, os valores da empresa e os objetivos estratégicos que se deseja atingir.
A Importância do Timing na Sucessão
O conceito de “pessoa certa no lugar certo” tornou-se obsoleto; é preciso considerar também o “momento certo” para a sucessão. Por exemplo, uma empresa cujo foco é incrementar o faturamento e expandir a base de clientes precisa de um líder com um perfil distinto em comparação a outra que prioriza a rentabilidade e o controle de riscos. Assim, entender o timing da organização é crucial para uma sucessão bem-sucedida.
Para garantir uma transição eficaz, é imprescindível que a empresa tenha um plano estratégico bem definido. Escolher um sucessor sem um entendimento claro da direção que a empresa deseja seguir pode levar a decisões erradas. Para uma sucessão bem-sucedida, dois passos são essenciais: primeiro, uma reflexão estratégica pragmática; segundo, a implementação de uma mentoria executiva para preparar os candidatos.
O Papel do Planejamento na Sucessão
É importante enfatizar que toda transição de liderança deve incluir um plano tanto para o sucessor quanto para o sucedido. Na minha visão, essa é a chave para resolver o enigma da sucessão. É necessário que o processo de sucessão seja abordado com seriedade e planejamento, considerando todos os aspectos que envolvem a continuidade dos negócios na Bahia.
À medida que as empresas familiares enfrentam esses desafios, é imprescindível que se preparem para garantir sua longevidade e relevância no mercado. A sucessão, quando bem planejada, pode ser uma oportunidade de renovação e fortalecimento para as organizações, permitindo que elas se adaptem e prosperem em um ambiente econômico em constante mudança.


