Desvalorização do Mamão Formosa em Tempos de Colheita
As cotações do mamão, especialmente a variedade formosa, experimentaram uma queda significativa nesta semana, entre os dias 16 e 20 de março. Após um período prolongado de estabilidade, os preços recuaram, refletindo uma série de fatores que impactaram a oferta e a demanda. Segundo dados coletados pelo Hortifrúti/Cepea, o mamão havaí 12-18, que é uma referência de mercado, foi comercializado no Norte do Espírito Santo a R$ 1,40/kg, o que representa uma queda expressiva de 31% em comparação à semana anterior. Um dos principais fatores que contribuíram para essa desvalorização foi o início da colheita em novas áreas produtivas, resultando em um aumento na oferta de frutas disponíveis.
Adicionalmente, a incidência de doenças fúngicas, como antracnose e mancha-chocolate, tem afetado a qualidade dos mamões, pressionando ainda mais os preços ao produtor. No que tange ao mamão formosa, que é bastante consumido no Sul da Bahia, a situação, embora diferente, também é preocupante. Apesar de uma oferta reduzida em comparação ao havaí, a demanda pela variedade formosa diminuiu, provocando uma interrupção na tendência de alta que vinha ocorrendo há mais de um mês.
Esta situação culminou em uma desvalorização de 12% para o mamão formosa, que agora é cotado a R$ 1,71/kg. Produtores relataram que algumas lavouras têm sido afetadas por doenças fúngicas, embora em menor escala do que no caso do mamão havaí. O cenário, portanto, é de certo impacto, mas com uma margem de resiliência que ainda garante alguma estabilidade.
Estabilidade de Preços no Oeste da Bahia
No Oeste da Bahia, a realidade parece mais favorável em comparação ao Sul. Aqui, apesar da diminuição da oferta, as cotações do mamão formosa mantiveram-se estáveis, com preços que giram em torno de R$ 2,27/kg. Essa estabilidade é uma resposta à menor disponibilidade da fruta nessa região, o que tem ajudado a sustentar os valores, mesmo em um cenário mais amplo de desaceleração no mercado.
Os produtores estão atentos ao comportamento do mercado, especialmente com a aproximação do fim de março, que pode trazer novas dinâmicas de compra e venda. Especialistas do setor alertam que, com a menor demanda, pode haver impactos negativos nas negociações na próxima semana, dificultando uma recuperação nos preços. A expectativa é de que as condições climáticas e a evolução das doenças fúngicas continuem a desempenhar papéis cruciais na definição do futuro preço do mamão formosa e também do havaí.
Os próximos dias serão decisivos para o agronegócio da fruta, e tanto os produtores quanto os comerciantes esperam por um cenário mais claro que possa influenciar na recuperação das cotações e estimular uma nova dinâmica no mercado. A atenção ao monitoramento da qualidade das lavouras e à análise das tendências de consumo será fundamental para que o setor consiga navegar por essas águas turvas.


