Análise dos Dados de Feminicídios na Bahia
A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em colaboração com a Secretaria da Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP-BA), divulgou o infográfico “Feminicídios na Bahia 2026”. Este estudo detalha o perfil e as características das vítimas de feminicídios no estado, com base em dados dos Boletins de Ocorrência (BO) registrados pela Polícia Civil entre 2017 e 2025.
Nos últimos oito anos, a Bahia contabilizou 891 feminicídios, o que significa que, em média, uma mulher foi assassinada em decorrência da violência de gênero a cada quatro dias. No ano de 2025, foram registrados 102 casos, uma diminuição de 7,3% em comparação a 2024, que teve 110 ocorrências. Essa redução, embora positiva, ainda levanta questões sobre a violência contra as mulheres no estado.
Em 2025, constatou-se que 1,3 mulheres a cada 100 mil baianas foram vítimas de feminicídio. Esse número, apesar de apresentar uma queda em relação ao ano anterior, é mais elevado em comparação com a taxa de 2017, quando havia uma mulher vitimada a cada 100 mil habitantes. Além disso, um dado alarmante revela que, de cada quatro mulheres que perderam a vida de forma violenta, uma foi assassinada em razão de seu gênero.
Padrões de Ocorrência e Perfil das Vítimas
Os dados também permitem identificar padrões preocupantes na ocorrência dos feminicídios. No ano passado, as armas brancas estiveram presentes em 35,1% dos casos, e o agressor era, em nove de cada dez situações, o parceiro íntimo da vítima—sejam eles companheiros, ex-companheiros, namorados ou ex-namorados. Ademais, 85% dos homicídios ocorreram dentro do próprio domicílio, um reflexo do ambiente muitas vezes hostil em que as mulheres se encontram.
O perfil das vítimas é revelador: a maioria delas era composta por mulheres adultas, com idades entre 30 e 49 anos, e predominantemente negras, nas categorias preta e parda. Muitos desses casos envolviam mulheres em relacionamentos, o que evidencia a necessidade de políticas públicas que atendam especificamente a esse grupo vulnerável.
Esses números e padrões não são meras estatísticas; eles refletem uma realidade que clama por atenção e ação. As informações apresentadas pela SEI podem servir como base para a formulação de políticas eficazes destinadas à proteção da vida das mulheres e ao combate à violência de gênero na Bahia. As iniciativas devem se concentrar em criar um ambiente mais seguro e de apoio, onde as mulheres possam buscar ajuda sem medo.
Portanto, apesar da queda no número absoluto de feminicídios, a luta contra a violência de gênero ainda é longa e repleta de desafios. A sociedade civil, junto ao poder público, precisa continuar vigilante e ativa para garantir que essa redução se torne uma tendência permanente e que todas as mulheres tenham o direito de viver sem medo.


