Expansão da Produção de Níquel na Bahia
A mineradora Atlantic Nickel planeja iniciar, em 2024, a extração de níquel em uma nova mina subterrânea localizada no interior da Bahia. Recentemente, a empresa, que é controlada por um fundo de investimentos britânico, deu o primeiro passo ao iniciar a construção da nova estrutura. A expectativa é de que a produção anual de níquel contido aumente de 15 mil toneladas para 30 mil toneladas até 2030, sem a necessidade de ajustes na planta de beneficiamento, onde ocorre a concentração do mineral.
Atualmente, a Atlantic Nickel comercializa o níquel na forma de concentrado, um produto resultante do primeiro beneficiamento do minério. O processo consiste na extração de um minério que possui entre 0,3% e 0,6% de níquel, elevando sua concentração para 13,5% por meio de processos industriais. Além do níquel, o mineral também contém cobre e cobalto como subprodutos.
Investimentos e Projeções de Faturamento
O investimento total na ampliação da mina está estimado em cerca de R$ 3,3 bilhões. Esse aporte é projetado para aumentar o faturamento da mineradora em até 60%, levando em consideração os preços atuais do níquel. No ano passado, a Atlantic Nickel obteve um faturamento de aproximadamente US$ 274,5 milhões. Embora as obras já tenham começado, a decisão final de investimento será tomada nos próximos meses.
Milson Mundim, country manager do Appian Capital no Brasil, comenta sobre a estratégia da empresa: “Uma característica que temos para mitigar riscos para os investidores é iniciar as obras antes da decisão final de investimento. Isso nos permite realizar trabalhos preliminares que ajudam a eliminar os gargalos, reduzindo o risco de atrasos no cronograma geral”.
Perspectivas para a Operação em Itagibá
Com esse investimento, a operação em Itagibá poderá se estender até 2050, um horizonte que varia conforme o preço do níquel e que é crucial para as economias locais, que dependem fortemente das receitas geradas pela mineração.
Segundo Mundim, não há planos imediatos para avançar na cadeia produtiva do níquel. No ciclo típico do níquel sulfetado, o concentrado é posteriormente transformado em matte e refinado até se tornar sulfato de níquel, um material utilizado em baterias de veículos elétricos. Esse mineral também tem aplicações na fabricação de componentes para turbinas de aeronaves.
O Crescimento da Atlantic Nickel no Cenário Mineral Brasileiro
Com a ampliação da produção, a Atlantic Nickel deverá aumentar sua influência na política mineral nacional. Atualmente, as maiores produtoras de níquel no Brasil são Vale e Anglo American, que focam no ferroníquel, essencial na produção de aço, com capacidade de produzir cerca de 40 mil toneladas de níquel contido.
A Atlantic Nickel, sob a gestão do Appian Capital, criou um fundo de US$ 1 bilhão em parceria com um braço do Banco Mundial. Deste montante, pelo menos US$ 50 milhões serão destinados à construção da nova mina subterrânea em troca de participação no projeto.
Exportações e Importância do Níquel para o Ocidente
Atualmente, as exportações da Atlantic Nickel são direcionadas principalmente para China, Finlândia e Canadá. A mineradora faz parte da iniciativa SAFE, que visa assegurar o fornecimento de minerais críticos para os Estados Unidos e seus aliados. No entanto, ainda não está definido se a nova produção será exclusivamente destinada ao Ocidente.
Na Bahia, a Appian opera a mina de níquel através de um contrato de arrendamento com a CBPM, a estatal que detém o direito de lavrar a área. Segundo o acordo, a empresa baiana irá receber 2,5% de 60% do faturamento gerado pela venda de níquel e 2,5% sobre toda a receita com outros minerais.
Escolha pela Mina Subterrânea
A opção pela construção de uma mina subterrânea foi motivada pela profundidade do corpo mineral na região da Bahia. Embora a mina possa atingir mil metros de profundidade e 200 quilômetros de extensão, essa estrutura apresenta menos impactos ambientais em comparação às minas a céu aberto.
O Cenário Global do Níquel
Em termos de produção global, a Indonésia responde por aproximadamente 70% da oferta de níquel, dominando o mercado desde 2021, quando várias empresas chinesas começaram a operar no país, após a implementação de políticas locais que restringiram a exportação bruta do minério. Essa centralização da produção de níquel nas mãos de indonésios e chineses despertou a atenção de países ocidentais, que passam a buscar diversificação em suas fontes de fornecimento.
O Brasil, com 11% das reservas mundiais de níquel, ainda representa apenas 2% da produção global, destacando-se como uma alternativa promissora para atender a demanda internacional.


