Novas Unidades de Ensino Superior
O Ministério da Educação (MEC) anunciou na quarta-feira, 25 de março, o credenciamento de dois novos campi, parte do esforço do Governo do Brasil para ampliar a rede federal de educação superior, utilizando recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). A primeira unidade será localizada em Nazaré (BA), vinculada à Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e a segunda em Conceição do Mato Dentro (MG), associada à Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), conforme as Portarias nº 94/2026 e nº 93/2026.
Esses novos campi oferecerão cursos em áreas consideradas estratégicas pelo governo, como inteligência artificial e disciplinas do campo de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), que estão entre as prioridades do governo liderado pelo presidente Lula. O ministro da Educação ressaltou a importância de garantir uma educação inclusiva e capacitar profissionais para atender às necessidades do mercado. Ele afirmou que “este governo foi fundamental para a retomada histórica dos investimentos nas universidades federais nos últimos quatro anos, valorizando aqueles que são protagonistas na produção acadêmica, científica e tecnológica do Brasil.”
No campus da UFRB, em Nazaré, estarão disponíveis inicialmente os cursos de inteligência artificial (bacharelado), logística (tecnólogo), comércio exterior (bacharelado) e ciências de dados para negócios (tecnólogo), cada um oferecendo 50 vagas anuais. Já em Conceição do Mato Dentro, o campus da UFVJM contará com o curso de inteligência artificial (bacharelado), com 30 vagas anuais disponíveis. Outras graduações ainda serão definidas pela instituição.
Expectativa e Infraestrutura
Com previsão de atender cerca de 230 estudantes no primeiro ano, cada unidade poderá alcançar até mil alunos em quatro anos. As aulas estão programadas para iniciar no primeiro semestre de 2027, em locais que serão disponibilizados pelas prefeituras, que também colaborarão na infraestrutura física por meio de parcerias com as universidades.
A autorização de funcionamento representa um marco crucial na política de expansão das universidades federais, transformando a estrutura física em uma oferta concreta de vagas educacionais para a população. Nos próximos exercícios orçamentários, os novos campi serão integrados à matriz de financiamento das instituições, e o MEC se comprometeu a garantir os cargos de docentes e técnicos-administrativos necessários para o funcionamento das unidades.
Em novembro de 2025, o MEC já havia credenciado dez novos campi em diferentes regiões do Brasil, focando na oferta de cursos de graduação voltados para o desenvolvimento regional e na redução das desigualdades no acesso à educação superior pública.
Lançamento da Plataforma CadEJA
No último sábado, 28 de março, o MEC também lançou o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA), uma nova plataforma que consolidará informações sobre a oferta e a demanda de matrículas para a EJA em todo o país. Essa ferramenta permite que qualquer cidadão com 15 anos ou mais que deseje finalizar os estudos registre seu interesse, tornando o processo de matrícula mais ágil. O lançamento ocorreu durante o Encontro Nacional da EJA, que celebrou a formatura de 2 mil estudantes provenientes de áreas de reforma agrária e periferias do Nordeste, resultado de uma parceria do MEC iniciada em 2024.
O secretário-executivo adjunto do MEC, Rodolfo Cabral, destacou que a plataforma representa um avanço significativo na identificação e atendimento à demanda por EJA no Brasil. “O CadEJA não é apenas uma inovação tecnológica, mas sim uma forma de garantir que o Estado se aproxime do cidadão, e não o contrário.” A secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do MEC (Secadi/MEC), Zara Figueiredo, enfatizou a importância da EJA para valorizar as trajetórias de vida dos estudantes e fortalecer a democracia.
O CadEJA é parte do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e da Qualificação da Educação de Jovens e Adultos, que busca não apenas acabar com o analfabetismo, mas também aumentar a oferta de EJA no país. Atualmente, não havia um meio físico ou digital para que as pessoas registrassem a demanda pela modalidade, exceto nas escolas. A educadora Paula Maria dos Santos, que atua na EJA, relatou a dificuldade de mobilizar alunos para retornarem à educação formal e ressaltou a relevância dessa nova plataforma.
Impacto e Futuro da EJA
A plataforma CadEJA contará com um painel de acesso exclusivo para gestores, permitindo gerenciar dados de procura, visualizar a oferta de EJA e acompanhar a demanda. Os interessados poderão se cadastrar de forma simples e rápida, facilitando o contato com as redes de ensino para a matrícula.
Durante o Encontro Nacional da EJA, foram discutidas políticas públicas para melhorar o acesso à educação e superar o analfabetismo. O Pacto EJA já beneficiou mais de 200 mil pessoas em ações de alfabetização e prevê um investimento significativo até 2027, com o objetivo de garantir o direito à educação para todos os jovens, adultos e idosos no Brasil.
A formanda Rita Hermínia Batista, de 83 anos, expressou sua alegria ao concluir os estudos, representando a realização de um sonho. “Meu sonho sempre foi ler a minha bíblia. Agora conheço todas as letras e assino meu nome em todos os lugares.” A cerimônia reafirmou o compromisso do MEC com a inclusão social e a promoção da cidadania por meio da educação.
O evento também marcou o lançamento dos Referenciais de Implementação das Políticas da Secadi, que visam auxiliar as redes de ensino na implementação de políticas equitativas e de inclusão. Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) 2024, o Brasil conta com 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não são alfabetizadas, o que torna o trabalho do MEC ainda mais urgente e necessário.


