Relatos de complicações em Irecê
Uma situação alarmante vem sendo reportada por pacientes e familiares que passaram por procedimentos oftalmológicos no Hospital Ceom, localizado em Irecê, na Bahia. De acordo com informações da TV Bahia, pelo menos 26 pessoas apresentaram complicações de saúde, que incluem comprometimento da visão. Esses problemas surgiram após a realização de aplicações intravítreas, um procedimento geralmente seguro e rápido. Entre os casos mais graves, alguns pacientes necessitaram da retirada do globo ocular.
A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil para verificar se há uma investigação em andamento sobre os incidentes, mas até o momento não houve retorno. A Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) confirmou que 26 pacientes relataram sintomas como ardência e hiperemia ocular, a vermelhidão provocada pela dilatação dos vasos sanguíneos, que pode estar ligada a irritações, inflamações ou infecções.
Casos graves de endoftalmite
Além dos sintomas iniciais, alguns pacientes desenvolveram endoftalmite, uma infecção ocular severa que pode causar danos permanentes à visão se não tratada adequadamente. Durante o período de realização das intervenções, a Sesab informou que foram realizados 143 procedimentos de terapia antiangiogênica (TAG), utilizando o medicamento Avastin (bevacizumabe), indicado para doenças oculares graves.
Após a notificação dos problemas, a Secretaria suspendeu imediatamente novos encaminhamentos para a unidade. Desde então, nenhum paciente foi direcionado ao hospital durante o mês de março, e essa suspensão se mantém vigente.
Uma inspeção sanitária na clínica revelou irregularidades no armazenamento do medicamento, incluindo problemas no controle de temperatura e falta de preparo da equipe em relação aos protocolos exigidos. Amostras dos insumos estão sendo analisadas em laboratório.
Apuração e monitoramento dos casos
A Diretoria de Controle das Ações e Serviços de Saúde instaurou diligências para investigar a situação, incluindo a análise de prontuários e o acompanhamento da evolução clínica dos pacientes afetados. A Sesab esclareceu que o Hospital Ceom é uma unidade privada credenciada ao Sistema Único de Saúde (SUS) e que a responsabilidade pela organização dos atendimentos e execução dos procedimentos é exclusivamente da instituição. A secretaria também negou ter promovido mutirões de saúde no município durante o período mencionado.
Nota do Hospital Ceom
Em nota oficial, o Hospital Ceom afirmou ter realizado 643 procedimentos ambulatoriais e cirúrgicos em dois dias de atendimentos, todos de acordo com critérios médicos estabelecidos. A unidade confirmou que 24 pacientes que passaram pela terapia antiangiogênica apresentaram intercorrências no acompanhamento imediato pós-procedimento.
O hospital garantiu que todos os pacientes continuam sob monitoramento contínuo, recebendo assistência integral que inclui avaliações especializadas, uso de medicamentos e acompanhamento clínico. A terapia antiangiogênica, ou anti-VEGF, é uma injeção intravítrea destinada a bloquear o crescimento de vasos sanguíneos anômalos, sendo indicada para doenças que podem levar à perda de visão.
A instituição também informou ter realizado uma auditoria detalhada dos prontuários referentes aos atendimentos, avaliando registros clínicos e condutas adotadas. Os documentos estão sendo organizados e disponibilizados aos pacientes que solicitarem, em uma medida de transparência e garantia de acesso às informações. Além disso, as investigações técnicas continuam sendo conduzidas pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar e órgãos de vigilância em saúde.
Com 24 anos de atuação e mais de 25 mil procedimentos realizados nos últimos quatro anos, o Hospital Ceom reafirma seu compromisso com a segurança dos pacientes e a transparência nas apurações.


