Fiscalização Digital e Proteção ao Consumidor
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), anunciaram nesta semana o início da Operação Páscoa Segura 2026. Esta ação interministerial resultou na remoção de aproximadamente 2 mil anúncios de produtos agropecuários irregulares em plataformas de vendas online, como Mercado Livre, Shopee e Amazon. A iniciativa, focada no período da Semana Santa, visa intensificar o monitoramento do comércio eletrônico, priorizando a retirada de ofertas irregulares de itens que tradicionalmente têm aumento de consumo nesta época do ano.
Integrada à Operação Ronda Agro Ciber III, do Mapa, essa medida reforça a fiscalização digital como uma ferramenta estratégica para a defesa agropecuária e a proteção ao consumidor. Durante a operação, foi empregado um intenso trabalho de análise de dados, utilizando o módulo e-Monitora, do Programa de Monitoramento do Trânsito e Comércio Irregular de Produtos Agropecuários, parte do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteiras).
Durante a operação, foram identificados cerca de 2 mil anúncios irregulares que envolvem produtos de alta demanda, incluindo itens como:
- Bacalhau: Foram detectadas fraudes relacionadas à substituição por espécies não autorizadas.
- Azeite de oliva: Comercializado por estabelecimentos não registrados, além da venda de produtos adulterados ou importados irregularmente, sem garantia de qualidade e conformidade com os padrões oficiais.
- Vinho e chopp de vinho: Venda de bebidas sem regulamentação ou registro adequado, incluindo produtos artesanais e importados sem controle sanitário, que representam um risco à saúde do consumidor.
Ainda, práticas enganosas foram identificadas, como descrições que tentam ocultar a origem e composição dos produtos oferecidos nas plataformas digitais.
André Avrichir, secretário-executivo do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP), ressaltou a importância da atuação integrada, que foi crucial para a remoção rápida dos conteúdos irregulares. Ele destacou: “Recebemos denúncias do Ministério da Agricultura e, em articulação com o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), conseguimos, em tempo recorde, retirar os links de produtos alimentícios irregulares às vésperas da Páscoa. Fortalecer a integração entre MJSP e Mapa é fundamental para evitar crises sanitárias geradas por alimentos piratas. O combate à pirataria deve se concentrar cada vez mais no ambiente digital, onde o consumidor tem dificuldade em diferenciar produtos autênticos dos falsificados”.
Importância da Atuação Interinstitucional
O comércio eletrônico no Brasil deve movimentar cerca de US$ 400 bilhões em 2026, consolidando-se como um ambiente propenso à circulação de produtos irregulares. O secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart, enfatizou que a colaboração interinstitucional é vital para acelerar as ações no ambiente digital. Ele afirmou: “A junção de esforços com o Ministério da Justiça, por meio do CNCP, é estratégica para que possamos atender à velocidade exigida pelo meio digital. Essa ação vai além da fiscalização administrativa, buscando coibir crimes contra as relações de consumo e proteger a saúde pública”.
Orientações ao Consumidor
O MJSP orienta os consumidores a ficarem atentos a preços significativamente mais baixos do que a média de mercado e a verificar se os produtos possuem registros oficiais, como o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) ou número de registro no Mapa. As plataformas de vendas foram notificadas para manter os dados dos vendedores responsáveis pelos anúncios irregulares, o que pode subsidiar ações legais contra os envolvidos.
Para a imprensa, mais informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected]


