Aumento dos Custos Logísticos na Bahia
A escalada do conflito no Oriente Médio já provoca impactos diretos no agronegócio brasileiro, especialmente na Bahia, onde o frete da soja registrou um aumento expressivo de 21%. Esse cenário preocupante ameaça a rentabilidade da colheita, que está se desenrolando sob um clima de incertezas. As tensões políticas envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã têm elevado significativamente os custos logísticos, um aspecto crucial para os produtores que dependem de insumos importados e da malha rodoviária.
No estado, o agravamento da situação é ainda mais evidente devido ao aumento acentuado no preço do diesel, que é o principal componente dos custos de transporte. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diesel S-10 teve um aumento de 24,5% em março, resultado que está diretamente associado ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica responsável por cerca de 20% do petróleo mundial.
Impacto Direto na Colheita de Soja e Milho
Com a colheita de soja e milho em andamento, o impacto sobre o custo do transporte é palpável. Fernando Bastiani, pesquisador do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), explica que “em uma rota de aproximadamente mil quilômetros, o gasto com diesel pode representar até 50% do custo total do frete. Essa é uma proporção bastante elevada, que impacta diretamente a competitividade dos produtores”.
A Bahia, onde a colheita ocorre de forma mais tardia, enfrenta efeitos ainda mais intensos. O estado registrou a maior alta do diesel do país, com um incremento médio de 29%, o que pressiona os custos e reduz a competitividade no mercado. Humberto Miranda, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), ressalta que “a dependência do modal rodoviário eleva os custos e diminui a competitividade, especialmente em momentos de instabilidade internacional”.
Alterações nos Indicadores Logísticos
Os efeitos dessa crise já se refletem nos indicadores logísticos. O custo do frete na rota entre Luís Eduardo Magalhães e Salvador, por exemplo, subiu de R$ 220 por tonelada em janeiro para R$ 267 em março. Além disso, a crescente dependência de fertilizantes importados, que alcançaram 45,5 milhões de toneladas em 2025, torna o país ainda mais vulnerável, especialmente com o Irã, um dos principais fornecedores, sob risco.
As exportações também enfrentam desafios significativos. O bloqueio do Estreito de Ormuz impactou as rotas marítimas, encarecendo o frete internacional e o seguro das cargas. Fernando Bastiani aponta que “isso resulta em falta de navios disponíveis, prolongando o tempo de viagem e impactando negativamente no custo do frete marítimo e nos seguros, uma vez que a insegurança em relação à passagem de navios nessas regiões é muito grande”.
Projeções Futuras para o Setor
O prolongamento do conflito tende a manter a pressão sobre os custos, reduzindo as margens dos produtores, especialmente no próximo ciclo agrícola. As flutuações cambiais e dos preços internacionais também aumentam, criando um ambiente de incerteza em relação aos contratos e ao planejamento da produção. Humberto Miranda destaca que “a volatilidade cambial e de preços tende a aumentar, gerando insegurança para os produtores”.
Diante desse desafio, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou que está monitorando a cadeia de suprimentos e avaliando alternativas logísticas para mitigar os impactos. Por sua vez, a Faeb intensificou as conversações com os governos em busca de medidas que possam reduzir custos, como a revisão de tributos sobre o diesel. “Estamos reforçando a atuação junto à CNA para priorizar pautas como crédito rural, seguro agrícola e o abastecimento de fertilizantes. Além disso, ampliamos a assistência técnica e gerencial por meio do Senar, visando orientar os produtores para uma gestão mais eficiente de custos”, explica Miranda.
Em um cenário de instabilidade internacional, o acesso à informação e a adoção de estratégias adequadas serão cruciais para minimizar perdas e garantir a competitividade do agronegócio baiano.


