A Situação Atual do Agronegócio na Bahia
O agronegócio, um dos pilares fundamentais da economia do Brasil, enfrenta grandes desafios, especialmente na Bahia, onde os produtores estão lidando com um cenário de incertezas e dificuldades. A diretora financeira da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), Cristina Gross, destacou esses pontos críticos durante o Fórum Bahia Export, realizado na sede da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb) nesta quinta-feira (9). O aumento dos custos de produção, a dificuldade de acesso ao crédito e problemas logísticos têm gerado um impacto direto na rentabilidade no campo.
Atualmente, o agronegócio representa aproximadamente 48,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Na Bahia, esse setor é responsável por 57,7% das exportações e 22% do PIB estadual. Apesar deste crescimento contínuo e dos resultados expressivos, a situação atual é considerada cada vez mais desafiadora. Segundo Cristina, “o maior problema enfrentado pelos produtores no momento é o custo de produção, que aumentou principalmente devido ao valor elevado dos fertilizantes, influenciado pela guerra entre Irã e Estados Unidos. O preço da ureia, por exemplo, saltou de 460 dólares em dezembro para 860 dólares atualmente, e 45% desse insumo é importado do Oriente Médio”.
Custos de Produção e Impactos no Campo
Outro fator que tem pressionado os custos dos produtores na Bahia é o preço do diesel, que também registrou aumentos significativos. “Recentemente, comprei o litro do combustível para a fazenda a R$ 7,92, quando antes pagava R$ 5,50. Isso impacta diretamente nos custos de plantio, colheita e no frete da produção”, afirmou Cristina.
Além dos custos elevados, o acesso ao crédito se tornou um desafio adicional. As linhas de crédito subsidiadas exigem o cumprimento de regras mais rigorosas, incluindo exigências ambientais, que acabam limitando a adesão por parte dos agricultores. Como resultado, muitos têm buscado alternativas no crédito privado, que, frequentemente, vem atrelado ao dólar e a taxas de juros mais altas.
Desafios para Pequenos e Médios Produtores
Os pequenos e médios produtores enfrentam ainda mais dificuldades, já que muitos deles não possuem a estrutura ou o conhecimento necessário para lidar com instrumentos financeiros mais complexos. “A dificuldade de acesso ao crédito se intensificou no Brasil, com taxas de juros cada vez mais altas. Os produtores precisam seguir uma série de regras. Enquanto os grandes e médios produtores, que têm mais estrutura, já se adaptaram a essa nova realidade, os pequenos, e em alguns casos até os médios que não estão tão estruturados, ainda têm dificuldades em entender o que é necessário para acessar esse crédito”, concluiu Gross.
No painel, Cristina Gross foi acompanhada por Guilherme Moura, Vice-Presidente da Federação da Agricultura do Estado da Bahia (FAEB), e Waldyr Promicia, Presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas). A moderação do evento ficou a cargo da jornalista Andréa Silva, apresentadora e repórter da Rede Bahia, que trouxe à tona os principais desafios e oportunidades do agronegócio baiano, buscando fomentar o debate sobre o futuro do setor.


