Debate sobre Segurança no Campo
A escalada da criminalidade no meio rural se tornou um tema central nas discussões políticas em Brasília, conforme revelam relatos de insegurança e fragilidade institucional. Durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados, realizada na última quinta-feira, dia 10 de abril, membros do setor agropecuário apresentaram denúncias de invasões e a atuação de grupos organizados em diversas regiões do Brasil.
O evento, promovido pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, contou com a participação de parlamentares, especialistas e representantes de entidades do agronegócio. O objetivo da reunião foi discutir medidas de proteção para os produtores rurais e a valorização das forças de segurança. Um dos depoimentos mais impactantes foi de Mateus Bonfim, da Associação do Agronegócio do Extremo Sul da Bahia (Agronex), que descreveu um ambiente de tensão e medo na região.
“Atualmente, temos mais de 100 propriedades invadidas desde 2022. O que estamos enfrentando é uma realidade onde o crime organizado se infiltra, frequentemente utilizando pautas legítimas como fachada para praticar violência, roubo e expulsão de produtores”, enfatizou Bonfim, ilustrando a gravidade da situação.
Ele também apontou que, além do aumento das invasões, há limitações operacionais que dificultam a resposta do Estado. “As forças policiais querem atuar, mas, em muitas situações, não têm o respaldo necessário para agir. Quando a polícia chega, geralmente informa que não pode retirar os invasores, apenas evitar o confronto”, relatou, evidenciando a disparidade entre a legislação vigente e a realidade enfrentada no campo.
O representante da Agronex defendeu a necessidade de reformas no marco legal para garantir maior segurança jurídica às forças policiais. “Precisamos de leis que realmente apoiem a atuação das forças de segurança. Existe uma dificuldade prática em aplicar a lei”, destacou.
Normas Relacionadas a Conflitos Fundiários
Outro ponto crucial abordado foi a necessidade de revisão das normas relacionadas a conflitos fundiários. “Há uma desorganização normativa que precisa ser enfrentada. Não é aceitável que um cidadão tenha sua propriedade invadida e não receba uma resposta imediata do Estado”, criticou Bonfim, sublinhando a urgência de mudanças.
A discussão também incluiu a temática da legítima defesa no campo. “Se o Estado não consegue agir a tempo, o cidadão deve ter respaldo legal para se defender”, argumentou Bonfim, solicitando uma visão equilibrada sobre essa questão. Essa preocupação aponta para uma demanda crescente por proteção e autonomia para os agricultores.
Por fim, ele ressaltou o potencial de contribuição que os veteranos das forças de segurança podem trazer ao debate. “A experiência dos veteranos pode ser fundamental na elaboração de estratégias de defesa e combate ao crime. Precisamos transformar esse debate em ações concretas”, concluiu Bonfim, enfatizando a importância de medidas práticas para enfrentar a insegurança no campo.
A audiência não apenas reforça a pressão por ações que ampliem a segurança no meio rural, mas também destaca a crescente relevância desse tema na agenda do agronegócio e na política nacional. A busca por soluções que garantam a proteção dos produtores e a integridade das propriedades se torna cada vez mais necessária, à medida que a criminalidade avança e os desafios aumentam.


