Desvendando os números impressionantes de riqueza por habitante na Bahia
Uma cidade pequena no interior da Bahia tem se destacado nos rankings econômicos do Brasil, não por sua densidade populacional ou variedade de atividades econômicas, mas pelos surpreendentes índices de riqueza gerada por cada morador. Localizada na Região Metropolitana de Salvador, São Francisco do Conde atingiu, em 2023, o segundo maior PIB per capita do país, conforme dados do IBGE.
O número é realmente impressionante: o município apresentou um PIB per capita de aproximadamente R$ 684 mil, uma quantia mais de 10 vezes superior à média brasileira, que foi em torno de R$ 53 mil no mesmo ano. Essa discrepância se torna ainda mais evidente quando se considera que a cidade tem uma população relativamente reduzida, com cerca de 40 mil habitantes, o que explica esse índice elevado ao dividir a riqueza total entre os moradores.
Entretanto, essa performance econômica não é fruto de uma diversidade de setores. A economia de São Francisco do Conde é amplamente dependente do segmento de petróleo e refino, que gera um grande volume de riqueza concentrada. A cidade abriga a Refinaria Landulpho Alves, agora conhecida como Refinaria de Mataripe, um dos principais responsáveis pelo processamento de petróleo em derivados na região Nordeste do Brasil. Atualmente, a refinaria está sob a administração do grupo árabe Mubadala Investment Company, após ter sido privatizada durante o governo de Jair Bolsonaro. Recentemente, a Petrobras manifestou interesse em recomprar a instalação.
Municípios com esse perfil frequentemente aparecem no topo dos rankings nacionais de PIB per capita devido aos royalties recebidos e à presença de grandes complexos industriais. Mesmo que São Francisco do Conde não figure entre as maiores economias do estado em termos absolutos, ela se destaca pelo seu PIB total, que alcançou cerca de R$ 26,5 bilhões em 2023, posicionando-se como uma das principais cidades da Bahia.
Esse fenômeno revela um aspecto importante: enquanto cidades menores podem apresentar índices econômicos extremamente elevados, isso não implica necessariamente em uma distribuição equitativa de renda ou em uma qualidade de vida proporcional para todos os seus habitantes. O ranking nacional mostra que muitos dos municípios que se destacam em PIB per capita têm economias que são altamente concentradas em poucos setores, o que levanta questões sobre a sustentabilidade e a equidade dessas economias.
A realidade de São Francisco do Conde e de outras cidades com características similares traz à tona a discussão sobre os desafios da desigualdade econômica e a necessidade de diversificação das economias locais. À medida que o país busca formas de crescimento sustentável, é crucial considerar não apenas o aumento do PIB, mas também como essa riqueza é distribuída entre a população.


