Estudo Aponta Necessidade de Regulamentação para Trabalhadores de Aplicativos
O cenário do trabalho por aplicativo na Bahia é alarmante. O secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Augusto Vasconcelos, destacou a urgência de regulamentação para esse setor, que conta com aproximadamente 76 mil profissionais atuando de forma informal. Essa informação foi revelada por meio do estudo “Perfil dos Trabalhadores de Transporte por Aplicativo”, promovido pelo Observatório do Trabalho, uma iniciativa que visa integrar dados socioeconômicos com a colaboração do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Conforme os dados de 2024, a pesquisa aponta que mais de 80% dos trabalhadores no setor não têm acesso à cobertura previdenciária. Este cenário reforça a necessidade imperativa de estabelecer diretrizes que proporcionem melhores condições laborais, salários mais justos e proteção social para motoristas e entregadores. Em suas declarações, Vasconcelos enfatizou: “As empresas de plataformas por aplicativo lucram substancialmente com a atividade desses trabalhadores e precisam assegurar condições mais justas de remuneração e dignidade previdenciária”.
A Importância do Setor para a Economia Bahiana
O levantamento revela também que os trabalhadores de aplicativos representam 1,4% da força de trabalho no estado, contabilizando cerca de 52 mil apenas no segmento de transporte de passageiros. Isso ressalta a relevância econômica desse setor, que, apesar de sua grande contribuição, enfrenta desafios significativos. A maioria desses profissionais, segundo a pesquisa, não faz contribuições para a Previdência e, em muitos casos, seus rendimentos não ultrapassam dois salários mínimos, enfrentando, ainda, altos custos de operação e longas jornadas de trabalho.
Vasconcelos acrescentou que “em caso de acidentes, esses trabalhadores, na maioria das vezes, ficam sem apoio e arcam com todos os riscos da atividade, mesmo que as plataformas gerem alta rentabilidade para seus proprietários”. Essa situação evidencia a necessidade de uma discussão mais ampla sobre a regulamentação do setor, que deve incluir não apenas a proteção previdenciária, mas também diretrizes que garantam condições dignas de trabalho.
Essas demandas de regulamentação têm ganhado destaque não apenas na Bahia, mas em diversas partes do Brasil, onde o crescimento do trabalho por aplicativo tem gerado debates sobre direitos trabalhistas e segurança social. O secretário, ao convocar uma reflexão sobre o tema, ressalta a importância de se garantir direitos fundamentais a esses trabalhadores, que desempenham papel essencial na dinâmica econômica atual.
Propostas para Melhorar a Situação dos Trabalhadores por Aplicativo
Uma possível solução discutida nos círculos políticos e sociais envolve a criação de um marco regulatório específico para os trabalhadores de aplicativos. Essa regulamentação poderia estabelecer requisitos mínimos para remuneração, acesso à proteção social e condições de trabalho. Além disso, a promoção de parcerias entre o governo e as plataformas pode facilitar a implementação de um sistema que beneficie tanto os trabalhadores quanto os empresários, garantindo um ambiente onde direitos e deveres sejam respeitados.
Num contexto mais amplo, a pandemia de COVID-19 evidenciou ainda mais a precarização do trabalho informal, levando à necessidade de ações efetivas que promovam a dignidade e a segurança desses profissionais. A luta por melhores condições de trabalho é uma pauta que deve ser prioridade nas agendas governamentais e nas discussões sociais, refletindo a urgência de um novo modelo de trabalho que atenda às necessidades do século XXI.


