O Caminho de uma Educadora Inspiradora
No recente episódio do podcast Ponto a Ponto, promovido pelo Maringá Post, a professora doutora Solange Lopes compartilhou sua trajetória na educação, revelando detalhes sobre sua sólida carreira. Durante a conversa com o jornalista Ronaldo Nezo, a atual reitora da Unicesumar falou sobre como a resiliência e a determinação a ajudaram a transitar de uma carreira como desenhista de projetos elétricos para uma das principais figuras acadêmicas do Brasil. Atualmente, Solange lidera uma das maiores instituições de ensino do mundo.
Durante a entrevista, Solange abordou a mudança da gestão familiar da Unicesumar para um modelo de capital aberto, analisou o impacto da Inteligência Artificial no aprendizado e enfatizou a necessidade de manter o afeto e a convivência entre alunos e professores no ensino superior.
“Nós somos eternos aprendizes. Quando se tem um coração aberto para as lições que a vida ensina, as oportunidades vão surgir”, declarou Solange, ressaltando que sua trajetória é marcada por persistência e compromisso ético.
Um Recomeço Corajoso
Leia também: Inteligência Artificial Revoluciona Criação Literária na Bienal do Livro da Bahia
Leia também: Avena Reflete sobre a Inteligência Artificial com Baudelaire: Uma Nova Perspectiva Literária
A reitora recordou o início da sua carreira, que foi marcada por uma diversidade de experiências. Aos 17 anos, ela aprendeu a desenhar projetos elétricos para conquistar seu primeiro emprego em Maringá. Passou por diversas etapas, incluindo concursos no CREA e na Embratel, mas fez uma escolha radical aos 23 anos: decidiu interromper uma carreira promissora no serviço público para dedicar-se aos três filhos pequenos, entre eles gêmeos.
Após um período de oito anos assim dedicados à família, Solange se reergueu e decidiu voltar aos estudos. “Muitas pessoas têm dificuldade em entender que um hiato na carreira não é problemático. Recomeçar não é um fracasso, é um marco”, afirmou.
Esse recomeço a levou a se graduar em Fisioterapia, prosseguindo com mestrado e doutorado, totalizando 26 anos de dedicação à Unicesumar, onde começou como professora e chegou ao cargo máximo da instituição.
Reconhecimento e Responsabilidade
Um dos pontos altos da entrevista foi o relato de sua nomeação como reitora, sucedendo o fundador, Professor Wilson de Matos Silva. Surpreendentemente, o anúncio foi uma grata surpresa. Solange recorda que, em uma reunião com outros líderes da instituição, Wilson anunciou que escolheria alguém que continuasse sua visão de promover uma educação de qualidade. Ela recebeu a caneta que simbolizava essa responsabilidade como um sonho realizado.
Leia também: A Modernidade Caiu na Rede: Novo Livro de Armando Avena Explora Impactos da Inteligência Artificial na Sociedade
Leia também: VI Conferência da Mulher da OAB Feira de Santana: Saúde Mental, Direitos e Inteligência Artificial
Essa transição não apenas representou uma mudança de gestão, mas também desafiou paradigmas existentes. “Fui pesquisar e, na época, éramos apenas três reitoras em todo o Paraná. A responsabilidade de continuar um trabalho tão significativo era imensa”, analisa.
Desafios na Educação e a Busca pela Qualidade
Com a fusão entre a Unicesumar e a Uniasselvi, que deu origem à Vitru Educação, listada na Nasdaq e posteriormente na B3, Solange assumiu a vice-presidência das operações presenciais, gerenciando um total de mais de 34 mil alunos.
Ela defende que a ideia de que instituições de ensino privado devem focar apenas no lucro é equivocada. “A educação é um bem público garantido pela Constituição. Se prejudicar a qualidade em nome do lucro, tanto a sociedade quanto o MEC perceberão. Meu esforço diário é equilibrar os resultados financeiros com a formação técnica e ética”, enfatiza.
Sobre o curso de Medicina, que tem gerado amplos debates, Solange festejou a nota 4 que a Unicesumar recebeu no ENAMED, um índice que a coloca ao lado de instituições tradicionais como a UEL e a UFPR. Para ela, esse êxito é atribuído a um tripé fundamental: um projeto pedagógico inovador, infraestrutura de excelência — incluindo laboratórios de simulação — e um corpo docente especializado.
“Para nós, a média não é suficiente. Precisamos ir além e garantir que o médico que formamos seja de alta qualidade”, acrescentou Solange, informando que mais de mil médicos já foram graduados pela instituição.
Inteligência Artificial e Ensino Presencial
No que diz respeito à Inteligência Artificial e ao uso de celulares em sala de aula, Solange apresenta uma visão equilibrada, mas cautelosa. Ela alerta: a tecnologia deve servir como ferramenta e não como substituta do pensamento crítico. “O ChatGPT é uma coleção de informações, mas a questão é: como você aplica isso na vida? Informação não é sinônimo de formação humana”, explica.
A reitora acredita que a capacidade humana de impactar e emocionar o outro será o diferencial competitivo no futuro. Por isso, ela defende a importância do retorno ao ensino presencial. “A pandemia nos isolou. O jovem hoje deseja se sentir parte de uma comunidade e busca conexão, afeto e interação direta com o professor. Aprendemos por meio das relações sociais”, finaliza.


