Impactos do Reajuste do Diesel
O recente reajuste promovido pela Petrobras elevou, em média, o preço do diesel em 14,7% no Brasil, impactando de forma significativa a Bahia, onde a alta chegou a 17,78%. Esses dados, apresentados pela Gestran, foram coletados a partir de abastecimentos reais realizados por frotas entre fevereiro e março de 2026, utilizando informações do Radar de Preços do Mercado de Combustíveis.
No cenário nacional, o preço do litro do diesel saltou de R$ 5,74 para R$ 6,59, um aumento de R$ 0,85. Na Bahia, o preço médio atingiu R$ 6,78 em março, colocando o estado acima da média nacional e entre os mais caros do país. A região Nordeste, em geral, foi a que sentiu a maior pressão sobre os preços, com um aumento médio de 15,57%, sendo Pernambuco (18,32%), Tocantins (18,30%) e Bahia (17,78%) os líderes nesse crescimento.
Efeitos Diretos nas Empresas
O estudo realizado abrangeu 3,51 milhões de litros de Diesel S10 vendidos em 622 postos de todo o Brasil. As informações captadas refletem transações reais de abastecimento, com notas fiscais associadas, permitindo uma análise precisa do impacto do reajuste nas operações das transportadoras.
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Conforme Paulo Raymundi, CEO da Gestran, o aumento já se reflete no orçamento das empresas. Por exemplo, um caminhão semi-pesado com tanque de 300 litros passou a gastar cerca de R$ 254 a mais a cada abastecimento. Em frotas maiores, esse impacto pode chegar a centenas de milhares de reais ao longo do ano.
Desafios e Estratégias de Abastecimento
A disparidade nos preços entre diferentes estados e regiões sublinha a necessidade de desenvolver estratégias de abastecimento mais eficientes. Segundo Raymundi, o combustível representa, em média, o maior custo variável de uma frota, e, paradoxalmente, muitos gestores ainda tomam decisões sem uma visibilidade clara sobre as variações regionais de preços. O objetivo da ferramenta da Gestran é proporcionar transparência e permitir que os gestores comparem preços, antecipem movimentos de mercado e planejem abastecimentos baseados em dados concretos.
“As flutuações regionais significativas, como as observadas na Bahia, demonstram a importância de monitorar os preços regionalmente e abastecer de forma informada. Isso deixou de ser apenas uma vantagem competitiva, tornando-se uma condição essencial para manter os custos operacionais sob controle”, completou Raymundi.
Aumento no Volume Abastecido
Além do aumento nos preços, o volume de diesel abastecido na Bahia teve um crescimento de 27% em março. Esse movimento pode indicar uma expansão das operações logísticas, um incremento na demanda ou até mesmo novos contratos surgindo nesse período. Apesar disso, o fato do estado ser um produtor e refinador não garantiu uma redução nos preços na bomba.
Raymundi esclareceu que a presença de uma refinaria no estado não implica automaticamente em preços menores para o consumidor. O preço final do diesel é influenciado por uma complexa cadeia que envolve políticas de paridade, ICMS, custos de distribuição, margens das revendas e a dinâmica regional de oferta e demanda.
Fatores Externos Também Influenciam
O secretário executivo do Sindicombustíveis Bahia, Marcelo Travassos, destacou que o cenário atual também é influenciado por fatores externos. O conflito geopolítico no Oriente Médio impactou globalmente os preços do diesel, que é uma commodity internacional. Neste contexto de conflito, a Acelen, fornecedora de diesel na Bahia, já ajustou em 78,7% o preço do produto refinado, resultando em reflexos diretos nas revendas.
“Aumentos nos preços do diesel afetam toda a cadeia produtiva, impactando diretamente na saúde financeira das empresas e, consequentemente, no bolso do consumidor. O aumento nos preços do diesel não reflete apenas em seu custo direto, mas acaba encarecendo praticamente todos os produtos, especialmente os alimentícios. Afinal, toda a cadeia alimentar depende do diesel para plantar, transportar e comercializar”, enfatizou Travassos.
A Acelen, por sua vez, emitiu uma nota informando que os preços dos seus produtos seguem critérios de mercado, levando em conta variáveis como os custos do petróleo — adquirido a preços internacionais —, além do câmbio e do frete, e que adota uma política de preços transparente, alinhada às práticas globais.
Recentemente, em 23 de abril, a refinaria fez um leve recuo nos preços: uma diminuição de 1,05% no Diesel S10, que passou de R$ 5,926 para R$ 5,864, além de uma queda de 1,09% no Diesel S500 e de 1,36% na gasolina.


