A Lei Paulo Gustavo e sua Influência no Cinema de Rondônia
O cinema feito em Rondônia, que vai do horror psicológico ao documentário musical, está se destacando cada vez mais. Isso se deve, em grande parte, à Lei Paulo Gustavo (LPG), uma política pública de incentivo à cultura que tem promovido um aumento significativo na produção audiovisual do estado. Graças a essa legislação, as produções locais estão ganhando visibilidade tanto nacional quanto internacionalmente, ampliando a circulação de seus títulos.
Um dos exemplos mais notáveis é o curta Mucura, do cineasta Fabiano Barros, que foi selecionado para participar do 46º Fantasporto, um festival em Portugal dedicado ao cinema de fantasia, terror e ficção científica. Barros ressalta a importância das políticas públicas: “Elas são essenciais para regiões que historicamente não recebem investimento cultural. Graças à LPG, novas vozes emergiram e narrativas amazônicas passaram a ser reconhecidas, permitindo um crescimento no cinema local”, explica o diretor.
Produzido com um aporte de R$ 100 mil, Mucura aborda o complexo tema do luto materno. “A ideia surgiu do medo que as mães têm de morrer e deixar seus filhos, e do sofrimento de quem perde um filho. O horror psicológico foi escolhido como gênero para materializar essas emoções difíceis de transmitir de forma realista”, detalha Fabiano.
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Nacionalização do Fomento Cultural em Rondônia
O impacto da LPG vai além de produções individuais. O diretor, ator e roteirista Juraci Júnior ressalta a importância da nacionalização do fomento cultural. “Nossas histórias sempre foram contadas, mas muitas vezes de uma forma que não refletem a nossa realidade. Com a Lei, temos mais controle sobre nossas narrativas e isso só é possível com um investimento sério em políticas públicas”, enfatiza Juraci.
Os números não mentem: a edição de 2024 do Festival Olhar do Norte, um evento importante para o cinema da Amazônia, teve três filmes de Rondônia em avaliação, um salto em relação aos 18 filmes do ano anterior. “Essa evolução é claramente resultado do investimento na produção de curtas-metragens através da Lei Paulo Gustavo”, acrescenta Juraci.
Por meio de um edital municipal da LPG, Juraci Júnior também produziu o documentário musical Concerto de Quintal, que recebeu R$ 350 mil. O filme conquistou prêmios significativos em festivais como o 22º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá e foi apresentado na seleção oficial do International Folklore Film Festival, na Índia.
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Impactos Sociais e Emocionais na Produção Audiovisual
Outra produção relevante é o curta Quarto Escuro, que aborda a violência sexual no núcleo familiar, também viabilizado por um aporte de R$ 100 mil da LPG. O diretor Carlos Santana acredita que o cinema tem um papel crucial na reflexão e no debate sobre temas muitas vezes invisibilizados. “Essa abordagem responsável contribui para a conscientização e o diálogo social”, diz ele.
Para Santana, tanto a LPG quanto a Política Aldir Blanc representam um marco no investimento cultural no Brasil, promovendo o acesso aos recursos e fortalecendo produções fora dos grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo. “Essas iniciativas valorizam as identidades regionais e permitem que o público tenha contato com diversas realidades do país”, ressalta.
Compromisso com a Luta Contra a Violência de Gênero
No mês de março, o Governo do Brasil destaca a campanha Todos Juntos por Todas, parte do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, que busca unir esforços para prevenir e responsabilizar a violência contra mulheres. Filmes como Quarto Escuro são essenciais para ampliar o debate e reafirmar a importância da ação conjunta da sociedade e do Estado para garantir os direitos das mulheres.
Os investimentos na produção cultural em Rondônia não apenas destacam a riqueza das narrativas locais, mas também contribuem para a construção de uma sociedade mais consciente e engajada com questões sociais. Com isso, o estado começa a se firmar como um polo importante no cenário cultural brasileiro e internacional.


