Festival Boitatá promove intercâmbio cultural entre França e Brasil
Idealizado por Hervé Tritschberger, o Festival Boitatá celebra a cultura brasileira na Alsácia, reunindo música, dança, gastronomia e debates que aproximam França e Brasil. Organizado pela associação IPÊ, o evento está em sua segunda edição e se consolida como um importante espaço de troca cultural e cooperação internacional.
Para a edição de 2026, o festival terá uma participação especial: uma delegação oficial de Botuporã, cidade baiana, com sete representantes que vão integrar atividades culturais e institucionais, fortalecendo os laços entre os dois territórios.
Descobrindo a cultura brasileira na Alsácia
“O objetivo é apresentar a cultura brasileira ao público da Alsácia”, explica Tritschberger. Na primeira edição, o festival já apresentou ao público local a diversidade da gastronomia e ritmos como samba, pagode e forró. O evento atrai não só franceses, mas também moradores da região fronteiriça com a Alemanha e brasileiros residentes na Europa.
“A cultura brasileira é muito apreciada aqui. Muitos brasileiros que vivem na França e na Alemanha participam para compartilhar suas tradições”, acrescenta o organizador, ressaltando a importância do festival para a comunidade brasileira na Europa.
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Fonte: parabelem.com.br
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Fonte: daquibahia.com.br
Cooperação agroecológica entre Alsácia e Bahia
Além do aspecto cultural, o Festival Boitatá abre espaço para debates sobre desenvolvimento sustentável. Estão programadas duas mesas-redondas focadas em agroecologia e gestão de resíduos, reunindo agricultores e especialistas franceses e brasileiros.
A parceria entre Botuporã e a Alsácia começou quando Hervé Tritschberger era prefeito de Eschbach. O interesse pelo Brasil surgiu durante seus estudos de antropologia na Universidade de São Paulo (USP) em 2016, seguido por uma pesquisa na Bahia em 2018. Essa trajetória levou à cooperação profissional com Botuporã, inicialmente voltada para agroecologia e gestão de resíduos, que agora também envolve intercâmbios culturais.
Troca de experiências e economia circular
“Tudo começou com a ideia de fazer uma cooperação semelhante à do festival, para fazer a cultura e as práticas de Botuporã serem conhecidas na Alsácia”, relata Tritschberger. A delegação baiana já visitou a região francesa e, a partir dessas trocas, foi produzido um livro disponível em francês e português no site da associação IPÊ.
Para o antropólogo, a Bahia tem uma forte ligação com a economia circular, em que resíduos são reaproveitados em artesanatos e outras práticas. “Aqui na França, esse hábito é menos comum. A troca de ideias visa aprimorar as práticas em ambos os lados”, comenta.
Ampliação de horizontes e continuidade da parceria
Para Hervé Tritschberger, a cooperação também amplia a visão internacional de Botuporã, especialmente por ser uma região rural. “A parceria trouxe uma abertura para compreender como outros países e territórios funcionam”, observa.
Mesmo após deixar a prefeitura, Tritschberger mantém seu envolvimento em projetos de gestão pública e cooperação internacional na região de Sauer-Pechelbronn, no norte da Alsácia. Ele planeja continuar engajado em iniciativas que conectem ecologia e cultura, com foco especial no Brasil.

