Degelo na Antártica e suas consequências para o clima brasileiro
O derretimento acelerado das geleiras na Antártica está provocando mudanças significativas no clima do Brasil, com impactos diretos no regime de chuvas, nas frentes frias e no Agronegócio, além de elevar o risco de eventos climáticos extremos. Essa análise foi apresentada pelo pesquisador marinho e professor Ronaldo Christofoletti em entrevista à ONU News.
Christofoletti explica que o aumento do degelo contribui para a elevação do nível dos oceanos e altera a relação entre oceano e atmosfera. Essas alterações interferem na dinâmica climática que controla a formação e o deslocamento das frentes frias, fundamentais para regular o clima na maior parte do território brasileiro.
Aquecimento dos oceanos e ondas de calor marinhas
Nos últimos quatro anos, o degelo na Antártica atingiu níveis recordes, agravando as condições atmosféricas. Junto com o aquecimento dos oceanos, esse fenômeno intensifica os eventos naturais como o El Niño, aumentando seus efeitos sobre o clima.
O pesquisador destaca que o aquecimento das águas oceânicas tem intensificado as ondas de calor marinhas, períodos prolongados em que a temperatura dos oceanos fica acima da média. Essas ondas alteram a circulação atmosférica e a intensidade dos fenômenos climáticos que impactam o Brasil.
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Interligação climática entre Antártica, Amazônia e demais regiões
Christofoletti ressalta a existência de uma conexão entre a Antártica, a Amazônia, o Pantanal e os Pampas, formando um sistema climático integrado que influencia o ciclo das chuvas na América do Sul. A umidade que chega à Amazônia é transportada pelo vento do Oceano Atlântico e, após as chuvas na floresta, parte da água volta para a atmosfera pela evapotranspiração das árvores.
Essa umidade alimenta os chamados rios voadores, que levam água para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. A intensificação das chuvas ocorre principalmente quando essa umidade encontra as frentes frias provenientes da Antártica.
Eventos climáticos extremos em maior frequência
O aumento da temperatura dos mares e a elevação dos níveis oceânicos elevam a quantidade de vapor d’água na atmosfera. Isso cria condições para chuvas mais intensas, especialmente quando sistemas climáticos interagem. Segundo Christofoletti, situações semelhantes explicam os eventos extremos registrados no Rio Grande do Sul em 2024, bem como as chuvas fortes no Rio de Janeiro e Minas Gerais recentemente.
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As mudanças climáticas vinculadas ao degelo antártico podem elevar os riscos de desastres naturais, afetando a economia, a infraestrutura urbana e a produção agrícola, setores essenciais do agronegócio brasileiro.
Importância da conservação dos oceanos para o clima e agronegócio
O pesquisador participou da Terceira Avaliação Global dos Oceanos (WOA-3), divulgada pelas Nações Unidas em comemoração ao Dia Mundial dos Oceanos, em 08/06. O relatório destaca a relação entre o aquecimento das águas, a elevação do nível do mar e as mudanças climáticas globais.
Christofoletti lembra que cerca de 70% da superfície terrestre é coberta por água, sendo que mais de 97% desse volume corresponde aos oceanos. Essa realidade reforça a necessidade de preservar os ambientes marinhos para garantir a estabilidade climática, a segurança alimentar e a sustentabilidade das atividades econômicas, especialmente no agronegócio.

