Calor do El Niño aumenta riscos para a Grande Barreira de Coral
A chegada do El Niño acende alertas globais sobre o impacto no ecossistema marinho da Austrália. Cientistas reunidos nesta terça-feira (21) destacaram que o calor intenso provocado pelo fenômeno eleva o risco de branqueamento extremo e generalizado na Grande Barreira de Coral, o que pode culminar no colapso desse importante patrimônio natural.
O ecólogo Morgan Pratchett, da Universidade James Cook de Queensland e especialista em conservação marinha, classificou o El Niño atual como “extremo” e uma ameaça significativa ao recife. No Simpósio Internacional sobre Recifes de Coral, realizado em Auckland, Nova Zelândia, ele alertou para a possibilidade de extinções localizadas de espécies devido às perturbações climáticas.
Importância e vulnerabilidade da maior estrutura viva do planeta
A Grande Barreira de Coral é a maior estrutura viva do mundo, estendendo-se por 2.300 quilômetros na costa nordeste do estado australiano de Queensland. Além de sua relevância ecológica, é uma das principais atrações turísticas do país. O fenômeno El Niño deste ano está entre os mais fortes já registrados, provocando elevação da temperatura superficial do Pacífico equatorial e alterações nos padrões globais de ventos, pressão e chuvas.
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Pratchett reforça que “é muito provável que vejamos um branqueamento em massa de grande escala e gravidade” no recife. Esse processo, embora nem sempre letal, enfraquece os corais e, se persistente, pode levar à morte de colônias inteiras.
Monitoramento e preocupações internacionais
A Unesco monitora anualmente a situação da Grande Barreira de Coral desde 2021, quando alertou para o risco de inclusão do recife na lista de patrimônios mundiais “em perigo de extinção”. Apesar disso, o governo australiano tem tomado medidas para evitar essa classificação, mesmo diante da “máxima preocupação” expressa pelas Nações Unidas sobre a frequência crescente de eventos de branqueamento em massa e os efeitos das mudanças climáticas.
Entre 2024 e 2025, a cobertura de corais duros no recife diminuiu consideravelmente após o último branqueamento em massa — o sexto registrado desde 2016. Esse histórico evidencia a vulnerabilidade do ecossistema e a necessidade de ações urgentes.
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Alerta sobre a falta de ação governamental
O professor Ove Hoegh-Guldberg, da Universidade de Queensland, destaca que a ausência de medidas efetivas dos governos coloca em risco os recifes de coral em todo o mundo. Ele compara a situação à de um navio afundando, afirmando que, apesar dos sinais claros, a resposta é insuficiente.
“Se você estivesse em um grande navio, como o Titanic, e alguém dissesse que o navio está afundando, certamente buscaria um bote salva-vidas e agiria. Mas não estamos fazendo isso”, alertou. “O navio está afundando de forma massiva, e não estamos enxergando a realidade. A situação é muito grave.”

