Turnaround da Casas Bahia é reconhecido, mas cenário macro preocupa
O Itaú BBA retomou a cobertura do Grupo Casas Bahia com recomendação neutra, reconhecendo o êxito do turnaround liderado pelo CEO Renato Franklin. O banco fixou um preço-alvo de R$ 1 para a ação, o que representa um potencial de valorização de cerca de 25% em relação ao preço atual, que gira em torno de R$ 0,78, mesmo diante da queda de aproximadamente 1,2% no meio do pregão em um dia negativo para o Ibovespa.
O analista Rodrigo Gastim destacou a expressiva melhoria operacional da companhia, que elevou sua margem EBITDA de 0,6% em 2023 para 5,3% no primeiro trimestre deste ano. Esse avanço foi impulsionado por uma estratégia focada na racionalização dos SKUs, otimização das lojas e no fortalecimento do negócio de crédito próprio, além das recentes parcerias com marketplaces relevantes, como Mercado Livre, Amazon e Shopee.
Dependência do crédito e impacto dos juros altos
Apesar dos progressos, o Itaú sinaliza que o crescimento da Casas Bahia está fortemente condicionado à redução dos juros. A empresa atua em segmentos de consumo discricionário e de alto valor agregado, que dependem significativamente do crédito para impulsionar as vendas. Um ambiente persistente de juros elevados pode frear a demanda e aumentar o custo do funding para a operação de crédito, restringindo o crescimento da receita.
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Após a recuperação extrajudicial, o grupo reduziu sua dívida bruta em cerca de R$ 3 bilhões, chegando a R$ 2,4 bilhões. Contudo, o banco projeta queima de caixa até 2027, considerando contingências trabalhistas estimadas em R$ 500 milhões para este ano e R$ 300 milhões para o próximo, além dos custos financeiros relacionados à dívida.
Exposição ao ciclo de juros e perspectivas para o crédito
Cada redução de 100 pontos-base na taxa de juros representa um ganho de R$ 200 milhões no fluxo de caixa livre da Casas Bahia, evidenciando a sensibilidade da empresa ao ciclo de juros. A recuperação extrajudicial melhorou o perfil de funding da operação de crédito, reduzindo o custo das novas emissões de 150% para 120% do CDI. No entanto, esse benefício deve se refletir lentamente, dado que o duration médio da carteira de crédito é de 14 meses.
Atualmente, a carteira de crédito soma R$ 6,3 bilhões, com espaço limitado para aceleração no curto prazo devido ao cenário macroeconômico desafiador e aumento do risco de inadimplência, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. O Itaú destaca que a Casas Bahia é uma das empresas mais expostas ao ciclo de juros entre as que cobre.
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Fonte: indigenalise-se.com.br
Parcerias estratégicas com marketplaces impulsionam o e-commerce
O relatório do banco também enaltece a estratégia da Casas Bahia de firmar parcerias com marketplaces como Mercado Livre, Amazon e Shopee. Essas colaborações representaram 5% do GMV total no quarto trimestre de 2025 e contribuíram com quase metade do crescimento do comércio eletrônico da empresa no período.
Dentre os parceiros, a Shopee se destaca como a última parceria firmada, onde a Casas Bahia já vende o dobro do volume comercializado na Amazon e quase metade do volume vendido no Mercado Livre, apesar de um tíquete médio menor e de ter começado sua operação no Mercado Livre cinco meses antes.
Embora as taxas cobradas pelos marketplaces comprimam a margem unitária em relação aos canais próprios, as vendas por meio dessas plataformas são mais rentáveis que os canais pagos tradicionais. Cerca de metade do e-commerce da Casas Bahia depende de aquisições pagas, como Google e afiliados, enquanto a parceria com os marketplaces gera quase o dobro de EBITDA, com uma vantagem de margem de 2 a 4 pontos percentuais. Isso ocorre porque a taxa cobrada pelas plataformas substitui despesas de marketing e custos com transações, como MDR, prevenção de fraudes e antecipação de recebíveis.

