Festival FALA! movimenta Salvador com programação diversa
Entre os dias 20 e 22 de agosto, Salvador será palco da 7ª edição do Festival de Comunicação, Culturas e Jornalismo de Causas, conhecido como Festival FALA!. Organizado pelo Instituto FALA!, o evento acontece na Casa Castro Alves e traz uma programação gratuita que convida jornalistas, comunicadores, pesquisadores, criadores de conteúdo e estudantes de todo o país para refletir sobre o futuro do jornalismo e as desigualdades estruturais da sociedade.
Debates, homenagens e intervenções artísticas pautam o encontro
Durante três dias, o festival reúne mesas de debate, oficinas, rodas de conversa, sessões de oportunidade e exibições de documentários. A edição de 2026 presta homenagem ao geógrafo, jornalista e escritor Milton Santos, uma das maiores referências brasileiras no estudo das desigualdades e do conceito de “outra globalização”. Natural de Brotas de Macaúbas, na Bahia, Santos é celebrado por sua contribuição intelectual ao país.
Outro destaque da programação é a homenagem à professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), escritora e ativista negra Ana Célia da Silva. Cofundadora do bloco afro Ilê Aiyê e ativista do Movimento Negro Unificado, Ana Célia teve papel fundamental na criação da Lei 10.639, que torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-brasileira nas escolas.
Programação detalhada do Festival FALA!
Na quinta-feira, 20 de agosto, o festival começa às 15h30 com credenciamento e cerimonial, seguido pela mesa “Outros Mundos Possíveis: as vozes que atravessam o tempo e imaginários que gestam o impossível”. Participam do debate Nina Santos, pesquisadora e neta de Milton Santos; a escritora Ana Célia da Silva; e o geógrafo Billy Malachias, com mediação de Rosane Borges.
Na sexta-feira, 21, a programação inicia às 10h com uma intervenção artística de Nola Criola. Em seguida, acontece a mesa sobre tecnologias ancestrais e digitais para o jornalismo de causas, com Helena Bertho (AzMina), Larissa Santiago (Blogueiras Negras) e Fábio Santos (pesquisador/Cacaus Biocosméticos), mediada por Midiã Noelle (Combne).
Às 11h45, a Sessão Oportunidade será conduzida por Elaine Silva e Ícaro Lima, da Rede de Treinamentos FALA!. À tarde, o Cine FALA exibe documentários dos coletivos vencedores do Edital FALA! 2026 Brasília: Coletivo Retratação, Rádio West Side e Casa de Laffond. A roda de conversa “Quem protege o jornalismo de causas e fortalece quem comunica?” conta com a participação de Charlene Nagae (Tornavoz) e Fani Santos (Instituto de Defesa da População Negra).
Ainda na sexta, Urubu MC apresenta uma intervenção artística às 16h, seguida pela mesa “Geografias da palavra: raça, território, comunicação e a criação de outros imaginários”, com Rodrigo Coelho (Nordeste, eu sou), Xohãni Pataxó e Natureza França (Rede ao Redor). A programação do dia encerra com a intervenção artística do Ministereo Público Sound System às 19h.
Encerramento com foco na juventude negra e nas mulheres nas comunidades
O último dia, sábado, 22, começa às 10h com intervenção artística de Sued Hosaná, seguida pelo Tributo à Resistência: Movimento Negro Unificado (MNU), Unegro e o Legado de Mãe Hilda, com participação de Samira Soares (MNU), Marina Duarte (UNEGRO) e Valéria Lima (Instituto Mãe Hilda Jitolu).
Logo depois, a mesa “Futuros do presente: juventude negra, inovação e comunicação” reúne Victória Lôbo (Conquista Repórter), Romero Matheo (Iniciativa Negra) e Luciane Neves (mediação, Mídia étnica). À tarde, as oficinas “Mapas para jornalismo de causas”, com Martihene Oliveira e Denis Oliveira, e “Comunicação e cultura transformam: como captar recursos para eventos e movimentos”, com Wandersa Martins (FAJ) e Lígia Batista, ampliam o aprendizado dos participantes.
O festival se encerra com a mesa “Como as mulheres negras articulam a vida e a voz nas comunidades”, com Valdecir Nascimento, Mônica Anjos, Negra Jhô e Thifanny Odara, mediação de Rosane Borges, e a intervenção artística do Samba da Lua.
Sobre o Festival FALA!
Desde sua estreia em 2020, o Festival FALA! discute o papel do jornalismo de causas a partir de uma perspectiva popular, valorizando a diversidade e a pluralidade de vozes. O evento já passou por cidades como Recife, Belém e Brasília, promovendo conexões e formação para profissionais e estudantes do Brasil.
A primeira edição presencial em Salvador ocorreu em 2022, consolidando a cidade como um importante espaço para o diálogo sobre comunicação independente e cultura. A iniciativa é realizada por três organizações de mídia independente: Alma Preta Jornalismo, Marco Zero Conteúdo e Ponte Jornalismo, fundadoras do Instituto FALA!.

