Transformação Digital na Casas Bahia
A Casas Bahia que Renato Franklin assumiu em maio de 2023 enfrentava desafios significativos, sobretudo em relação à dívida e à alavancagem. Desde então, a varejista tem investido na “volta ao básico”, focando em eletrodomésticos, móveis e crediário, mas um elemento menos visível tem sido igualmente crucial: a inteligência artificial (IA).
Em pouco mais de três anos, a rede incorporou a IA em diversas operações, desde o atendimento nas lojas físicas até a otimização dos investimentos em mídia. O impacto já é palpável, e a tecnologia promete ganhar ainda mais espaço na reestruturação da empresa.
IA como Motor de Eficiência e Inovação
Segundo Franklin, atualmente 16 mil dos quase 30 mil colaboradores do grupo utilizam IA frequentemente. A tecnologia acelerou processos que antes demandavam mais tempo e recursos. Na área de tecnologia, por exemplo, o número de profissionais foi reduzido de cerca de três mil para 800, enquanto a produtividade triplicou.
Com a IA, a empresa conseguiu reduzir seus investimentos em tecnologia de R$ 1 bilhão, três anos atrás, para R$ 331 milhões previstos para 2025. Franklin destaca que, para uma companhia com estruturas robustas e sistemas legados, essa transformação representou um enorme desafio que a inteligência artificial ajudou a superar com maior rapidez e custos menores.
Agentes de IA e Modelagem Avançada
Hoje, aproximadamente mil agentes de IA operam na Casas Bahia, utilizando modelos como Claude, da Anthropic, e Gemini, do Google. O grupo, que possui um banco de dados com 116 milhões de CPFs de clientes, aproveita essa base para aprimorar suas soluções em parceria com grandes players do setor.
O CEO destaca que os projetos são guiados por três objetivos principais: aumentar receita, reduzir custos e melhorar a experiência do cliente, com foco em resultados percebidos pelo consumidor.
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Do Atendimento ao Cliente ao Controle de Estoque
Entre as iniciativas mais avançadas está o Bah.IA, copiloto lançado no final de 2024, que fornece aos vendedores informações em tempo real sobre produtos e ofertas, elevando a produtividade em 40%. Além de melhorar a remuneração dos vendedores, o sistema tem contribuído para maior engajamento nas lojas.
Outra inovação é o Zap Casas Bah.IA, disponível no WhatsApp desde o fim de 2025, que permite aos consumidores realizar pesquisas por áudio ou fotos, acumulando 550 mil interações orgânicas até o momento.
A IA também tem sido usada para definir estratégias de precificação dinâmicas, ajustando valores conforme o perfil e localização de cada loja, o que ajudou a elevar a margem bruta da rede de 27,9% para 30,5% e a margem Ebitda de 4,3% para 8,8% entre 2023 e 2025.
No setor comercial, a modelagem prevê quais SKUs comprar com base em margens projetadas, enquanto na supply chain, a IA ajuda a antecipar a demanda para os 1.039 pontos de venda da rede, reduzindo o giro de estoque de 120 para 90 dias, com potencial para chegar a 75 dias.
IA e Credito: Uma Nova Abordagem
O crediário, núcleo das Casas Bahia, também tem sido impactado pela IA. Um projeto-piloto usa modelos que consideram até o bairro do cliente para definir scores e condições de crédito, o que permitiu aumentar a entrada média de 25% para até 45% e reduzir o número de parcelas, mantendo o crescimento da carteira de R$ 5,3 bilhões para R$ 6,6 bilhões entre 2023 e 2025, mesmo em cenário econômico adverso.
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Além disso, agentes de IA gerenciam campanhas via WhatsApp e notificações no celular, otimizando resultados com custos baixos. Um exemplo recente gerou R$ 1,6 milhão em receita semanal com custo de apenas R$ 109.
Investimentos em Mídia e Resultados Financeiros
Na atração de clientes, a IA define estratégias de marketing de performance para a marca Pontofrio, que antes não utilizava essa abordagem. Atualmente, 4% a 4,5% das vendas online do grupo são destinados a marketing de performance, com testes promissores em andamento.
Em seu balanço do primeiro trimestre, a Casas Bahia reverteu uma queima de caixa de R$ 322 milhões para uma geração de R$ 852 milhões, cortou a dívida líquida em 68,1% para R$ 1,2 bilhão e reduziu a alavancagem para 0,5 vez. No entanto, a empresa ainda opera no vermelho, ampliando prejuízos de R$ 408 milhões para R$ 1,06 bilhão, afetada pela alta taxa de juros.
Desafios Econômicos e Perspectivas
O Itaú BBA destaca a recuperação operacional da rede, mas alerta para os riscos trazidos pela Selic elevada, que afetam lucros e crescimento financeiro. A avaliação de mercado da companhia é de R$ 719,6 milhões, com queda de 77,46% nas ações em 2025.
Franklin mantém uma postura cautelosa e realista sobre o futuro próximo. Para ele, 2027 pode ser tão desafiador quanto 2026, o que exige disciplina e ajustes contínuos para preparar a empresa para um cenário macroeconômico mais favorável no futuro.

