A Bienal de São Paulo em Salvador
A Fundação Bienal de São Paulo e o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) apresentam a etapa de Salvador do programa de mostras itinerantes da 36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática. A exposição abre suas portas em 4 de setembro e segue até 29 de novembro de 2026, permitindo ao público conhecer uma seleção de obras que dialogam com as raízes culturais da Bahia. A itinerância na capital baiana conta com o patrocínio do Instituto Motiva, Metrô Bahia e Petrobras.
Curadoria e artistas em destaque
Com curadoria de Keyna Eleison e Thiago de Paula Souza, cocuradores da 36ª Bienal, a mostra em Salvador reúne trabalhos de nomes como Alberto Pitta, Antonio Társis, Berenice Olmedo, Christopher Cozier, Korakrit Arunanondchai, Leo Asemota, Manauara Clandestina, Márcia Falcão, Marlene Almeida, Ming Smith, Myrlande Constant, Nádia Taquary, Sharon Hayes e Théodore Diouf. A escolha do MUNCAB como sede reforça a conexão com a proposta curatorial da Bienal, que valoriza artistas com raízes locais e diásporas africanas.
Antonio Társis, natural de Arraial do Retiro, apresenta a obra “catástrofe orquestra #1 (Ato I)” (2024-2025), enquanto Alberto Pitta expõe tecidos serigrafados que trazem uma visualidade gráfica inspirada em repertórios afro-diaspóricos. Nádia Taquary, nascida e sediada em Salvador, exibe “Irókó: A árvore cósmica” (2025), peça comissionada para a 36ª edição da Bienal e produzida na própria cidade. Keyna Eleison destaca o significado desta itinerância: “Irókó volta para sua origem, em um território cheio de poesia viva, um ato que transcende as palavras”.
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Fonte: reportersorocaba.com.br
Obras internacionais e o diálogo cultural
Além dos artistas locais, a mostra inclui trabalhos internacionais que ampliam o olhar sobre a diáspora negra e as artes afrodescendentes. Myrlande Constant apresenta bordados em contas e lantejoulas que revisitam a tradição dos drapo vodou (estandartes). Berenice Olmedo traz a instalação pneumática “Pnoê” (2025), que utiliza dispositivos médicos obsoletos para refletir sobre corpo e vulnerabilidade. As pinturas e gravuras de papel de Théodore Diouf dialogam com a abstração geométrica africana. A fotógrafa Ming Smith, primeira negra a ter obras adquiridas pelo MoMA, traz mais de cinquenta fotografias que percorrem a história da diáspora negra, do Harlem à África.
Expansão do acesso à arte e educação
Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, reforça que o programa de mostras itinerantes busca ampliar o alcance da Bienal além do Pavilhão principal. A parceria com o MUNCAB representa um passo importante na democratização do acesso à arte. Para o museu, a exposição é mais que um evento: é um diálogo com a história da arte que questiona presenças e ausências, centralidades e silenciamentos. Cintia Maria, diretora geral do MUNCAB, ressalta a importância do museu-território como parte ativa na produção de novos sentidos para as obras em Salvador.
Essa é a terceira vez que Salvador recebe o programa itinerante, que esteve na cidade durante a 29ª Bienal em 2011 e na 35ª edição em 2024, ambas no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA). A chegada ao MUNCAB marca o primeiro contato do programa com o museu dedicado à cultura e história afro-brasileira.
Agenda educativa e participação do público
Além da circulação das obras, o programa inclui um eixo educativo com formações para equipes locais, encontros presenciais e online, acompanhamento pedagógico e atividades para diferentes públicos. Visitas mediadas, palestras, laboratórios para professores e ações educativas para estudantes fazem parte da programação, ampliando a experiência e o engajamento com a mostra.
Serviço
36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática
Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), Salvador
Curadoria: Thiago de Paula Souza e Keyna Eleison
Arquitetura: Gisele de Paula
De 4 de setembro a 29 de novembro de 2026, terças a domingos, das 10h às 17h (acesso até 16h30)
Ingressos: inteira R$ 20 / meia-entrada R$ 10, disponíveis no portal do MUNCAB
Entrada gratuita às quartas-feiras e domingos

