Desafios e Oportunidades para a Economia Baiana
O Sindicato dos Servidores da Fazenda do Estado da Bahia (Sindsefaz) promoveu um seminário em Salvador que colocou em debate a necessidade urgente de diversificar a economia local, superar os obstáculos em infraestrutura e logística, e aproveitar as possibilidades abertas pela reforma tributária. O evento, intitulado “Diálogos Produtivos: Um olhar do Sindsefaz para a Bahia do futuro”, reuniu especialistas para discutir estratégias que possam impulsionar o crescimento econômico e a geração de empregos no estado.
Participação de Especialistas e Impactos da Geopolítica
Entre os debatedores estavam economistas renomados como José Kobori, Natan Caixeta, Rodrigo Orair e Rosembergue Valverde, além do presidente da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco), Francelino Valença. O secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Augusto Vasconcelos, também marcou presença, reafirmando o compromisso do governo com o desenvolvimento regional.
O seminário começou com uma homenagem ao Agente de Tributos Estaduais Osmário Mendonça, que faleceu em um acidente na BR-324 enquanto estava em serviço. Sua atuação sindical reforça a ligação direta entre a administração tributária e as políticas públicas para a Bahia.
Estado, Indústria e Desenvolvimento Regional
No primeiro painel, Kobori ressaltou as transformações na ordem econômica global, destacando o fortalecimento de potências como a China e o impacto disso na multipolaridade mundial. Ele defendeu o retorno do protagonismo do Estado brasileiro no planejamento e na condução do desenvolvimento econômico, com especial atenção ao potencial do Nordeste. Segundo ele, a região deveria ter sido prioridade no processo de industrialização, dada sua proximidade estratégica com mercados de Europa e Estados Unidos.
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Natan Caixeta criticou o modelo de desenvolvimento brasileiro atual, que considera dependente da exportação de commodities e limitado em sua capacidade de investimento público. Para ele, a reindustrialização é o caminho para superar essas limitações, aproveitando as novas oportunidades econômicas vindas dos países do BRICS. O economista também destacou a importância da política fiscal para fomentar desenvolvimento, emprego e reduzir desigualdades.
Impactos da Reforma Tributária para a Bahia
O segundo painel direcionou o foco para os desafios baianos. Rosembergue Valverde apontou a necessidade de diversificação produtiva e a superação dos gargalos logísticos que limitam a expansão econômica do estado. Aumentar a complexidade da economia, com atividades que agreguem valor e gerem empregos de qualidade, foi apresentado como prioridade para o crescimento sustentável.
Rodrigo Orair, representante do Ministério da Fazenda, analisou a reforma tributária sob a perspectiva do novo sistema de tributação do consumo, que passa a incidir no local de destino, ou seja, onde o consumidor está. Essa mudança pode beneficiar especialmente estados como a Bahia, mas exige planejamento e capacidade de investimento para aproveitar o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, recém-criado.
Autonomia e Fortalecimento das Administrações Tributárias
Francelino Valença, da Fenafisco, reconheceu avanços na reforma tributária que podem melhorar o ambiente de negócios, mas manifestou preocupação com a redução da autonomia dos estados e municípios para estabelecer suas próprias políticas fiscais. Ele ressaltou a importância de revisar os limites aos gastos públicos e ampliar os investimentos para estimular a economia e melhorar a qualidade de vida.
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Além disso, Valença defendeu o fortalecimento das administrações tributárias estaduais e a criação de uma Lei Orgânica da Administração Tributária, para garantir eficiência e transparência diante das mudanças trazidas pelo novo modelo tributário.
Ampliação do Debate sobre a Administração Tributária na Bahia
O Sindsefaz reforça que o seminário “Diálogos Produtivos” buscou expandir a visão sobre a administração tributária, mostrando seu papel além da mera arrecadação. A relação direta com o financiamento das políticas públicas, a redução das desigualdades e a construção de um projeto sólido de desenvolvimento para a Bahia foram os principais focos das discussões.
O desafio agora é transformar essas reflexões em ações concretas que impactem positivamente a renda, a geração de empregos e a atividade econômica no estado, garantindo um futuro mais próspero e equilibrado para a população baiana.

