Benefícios sociais e o impacto na economia local
A estagnação ou redução do poder de compra dos benefícios sociais e previdenciários traz consequências diretas para a economia dos municípios do interior do Brasil, com destaque para cidades da Bahia. Um levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), vinculado à Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), revela que esses recursos são fundamentais para a renda das famílias mais pobres e para o dinamismo do comércio local.
Segundo o estudo, aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) compõem uma parcela significativa da renda em famílias com até 1,5 salário mínimo por pessoa, chegando a representar até 50% dos rendimentos. Esse dinheiro é majoritariamente gasto na compra de alimentos e itens essenciais, retornando rapidamente para a economia da região e mantendo empregos e arrecadação municipal, especialmente nos municípios do interior, onde a dependência dessas transferências é maior.
Queda expressiva na renda dos municípios do interior
O levantamento abrange 5.569 municípios brasileiros, dos quais cerca de 4 mil estão fora das regiões metropolitanas. Nesses locais, o peso das transferências públicas na renda pode ser até o dobro do observado nas grandes cidades. No Ceará, por exemplo, enquanto na capital e região metropolitana os benefícios sociais representam 22% da renda agregada, no interior essa participação chega a 40%.
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Para analisar os impactos econômicos, os pesquisadores compararam o crescimento real das aposentadorias e do BPC entre 2022 e 2025 com um cenário sem reajustes acima da inflação, semelhante ao registrado entre 2019 e 2022. Os resultados apontam que, sem a valorização real dos benefícios, a renda agregada dos municípios do interior poderia cair entre 6,8% e 10,8% em relação ao cenário com reajustes.
Essa queda seria ainda mais severa em estados como Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, onde a perda de renda poderia variar de 17% a 18%. Amazonas, Sergipe e Pernambuco também enfrentariam reduções próximas a 15%. Na Bahia, Ceará, Maranhão e Alagoas, a retração estimada ficaria entre 10% e 13%, conforme as simulações do estudo.
Consequências para a população e o comércio local
Além de impactar o comércio e a atividade econômica, a perda do poder de compra dos benefícios sociais pode agravar os índices de pobreza e extrema pobreza no país. As simulações indicam que, caso os benefícios não tivessem ganhos reais entre 2022 e 2025, cerca de 2,7 milhões de pessoas em municípios fora das regiões metropolitanas teriam sido levadas à pobreza, sendo que aproximadamente 2,4 milhões entrariam em situação de extrema pobreza.
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A Bahia figura entre os estados mais afetados em números absolutos. O estudo estima que a falta de valorização dos benefícios poderia aumentar em até 336 mil o número de pessoas vivendo em pobreza no estado. São Paulo e Minas Gerais também apresentariam aumentos expressivos, com até 263 mil e 251 mil pessoas a mais em situação de pobreza, respectivamente.
Os pesquisadores ressaltam que manter o poder de compra das aposentadorias, do BPC e dos programas de transferência de renda é crucial não só para proteger as famílias vulneráveis, mas para garantir a sustentabilidade econômica dos municípios. Políticas de valorização desses benefícios ajudam a reduzir a pobreza e a preservar o fluxo de recursos no comércio local, especialmente nas cidades do interior da Bahia e em outras regiões do país que dependem fortemente dessas transferências.

