Levantamento aponta Bahia em 7º lugar em notificações de acidentes de trabalho
A Bahia ocupa a sétima posição entre os estados brasileiros com maior número de notificações de acidentes de trabalho, segundo pesquisa da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), que abrange dados de janeiro de 2023 a maio de 2026. Considerando apenas as dez profissões com mais registros em todo o país, o estado sobe para o sexto lugar.
O estudo faz parte do debate sobre saúde e segurança no trabalho durante o 23º Congresso da ANAMT, realizado em parceria com a Sociedade Baiana de Medicina do Trabalho (SBMT), que acontece até sexta-feira no Centro de Convenções Salvador.
Principais dados sobre os acidentes de trabalho no Brasil e na Bahia
Com base em informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, o levantamento identificou 1,8 milhão de notificações de acidentes de trabalho no país no período analisado. Dessas, 29,8% (548.612 registros) concentram-se em dez ocupações. Entre elas, alimentadores de linha de produção e pedreiros lideram o ranking, com 100.481 e 100.032 notificações, respectivamente. Na Bahia, o total chega a 22.124 registros no recorte dessas profissões.
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Profissões mais afetadas na Bahia
No estado, pedreiros aparecem em primeiro lugar com 6.481 notificações, seguidos por trabalhadores agropecuários em geral (5.513) e soldadores (3.647). Técnicos de enfermagem também são destaque, com 2.460 registros. Outros grupos com altos números incluem trabalhadores volantes da agricultura (1.756), serventes de obras (1.608), operadores de máquinas fixas (1.437), mecânicos de manutenção de veículos (1.084) e açougueiros (925).
Prevenção e desafios específicos das profissões
Geiza Nuñez, médica do trabalho e Diretora de Comunicação e Marketing Adjunta da ANAMT, esclarece que os números absolutos não indicam diretamente as profissões de maior risco, mas são fundamentais para orientar políticas de prevenção. Ela destaca que as causas dos acidentes variam conforme a atividade: no caso dos pedreiros, predominam incidentes relacionados a ferramentas manuais, cargas pesadas e trabalho em altura. Para os profissionais de saúde, a sobrecarga mental supera a física.
Adauto Silva, diretor de Imprensa e Comunicação do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde da Rede Privada da Bahia (SindiSaúde-Rede Privada), alerta para os riscos enfrentados pelos técnicos de enfermagem, que incluem acidentes com materiais perfurocortantes, esforço físico excessivo, além de condições como sobrecarga de trabalho, atrasos no pagamento de salários e férias, e assédio. Ele reforça que o respeito aos direitos trabalhistas é um componente essencial para reduzir acidentes.
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Saúde e segurança na construção civil
Arilson Ferreira Santos, diretor de Saúde e Segurança do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e da Madeira no Estado da Bahia (Sintracom-BA), aponta que atividades como trabalho em altura, instalações elétricas e operação de máquinas exigem atenção constante. Para ele, o cumprimento das normas regulamentadoras (NRs) e a adoção de medidas coletivas de proteção são essenciais para prevenir acidentes. “O Sintracom acredita que todos os acidentes podem ser evitados, desde que as empresas respeitem as NRs e implementem as proteções adequadas”, afirma.
Discussões e avanços no 23º Congresso da ANAMT
Com o tema “Da prevenção do adoecimento à assistência: o papel do médico do trabalho na saúde populacional”, o 23º Congresso da ANAMT reúne especialistas brasileiros e internacionais para debater temas como organização do trabalho, condições de saúde ocupacional e procedimentos relacionados a benefícios previdenciários. O evento segue até sexta-feira, fortalecendo o diálogo sobre prevenção e cuidado na saúde do trabalhador.

