Estação Quente com Previsões Irregulares
O Brasil dá boas-vindas ao verão, que começou no último domingo (21), trazendo consigo altas temperaturas, praias lotadas e férias escolares. Esta temporada, porém, se destaca por serem esperadas chuvas irregulares, resultado do aquecimento global. Especialistas alertam que os efeitos do aquecimento global serão mais perceptíveis, com dias mais longos e noites mais curtas, características típicas do verão brasileiro.
De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão Filho, o verão deste ano será marcado por uma certa neutralidade climática, sem a influência do El Niño ou da La Niña, levando a temperaturas elevadas que podem ultrapassar em até três graus a média nacional. As regiões do Centro-Oeste e interior do Nordeste devem sentir um calor mais intenso em comparação a outras partes do Brasil.
Abrahão Filho esclarece que “os eventos estão em condições de neutralidade, o que influencia os fenômenos atmosféricos. Essa situação resulta em menos chuvas no Centro-Oeste e temperaturas mais altas no Nordeste”. No Sul do Brasil, a previsão é de que as chuvas sejam escassas, limitando-se principalmente à faixa litorânea. Ele também alertou para a expectativa de chuvas intensas na próxima semana nas regiões limítrofes com Argentina e Paraguai, onde tempestades podem ocorrer devido à chegada de uma nova frente fria.
O meteorologista destaca ainda que algumas áreas podem enfrentar riscos de enchentes e inundações. Estados como Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro estão na rota desse tipo de evento extremo, propenso a raios e ventos fortes. “O aquecimento global é um fenômeno real que agrava esses comportamentos climáticos”, afirmou Abrahão Filho.
Calor e Chuvas no Centro-Leste
As temperaturas devem ficar elevadas, especialmente entre os dias 22 e 30 de dezembro, com o centro-leste brasileiro sendo a região mais afetada. Em áreas que abrangem Minas Gerais e Bahia, os termômetros podem registrar até 6°C acima da média histórica.
A análise realizada pelos meteorologistas Alexandre Nascimento e Desirée Brandt, da consultoria meteorológica Nottus, aponta que, embora o verão não deva ser o mais quente, será influenciado pela presença de um La Niña “fraco”. Essa situação pode favorecer chuvas no Sudeste, Centro-Oeste, Matopiba (compreendendo partes do Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia) e áreas da Região Norte. Os especialistas indicam que essa estação poderá ser benéfica para o agronegócio, especialmente em termos de umidade do solo, essencial para o desenvolvimento das culturas.
Desirée Brandt comentou: “Podemos observar periodos isolados de estiagem com temperaturas mais elevadas, porém, os modelos climáticos não apontam ondas de calor prolongadas. A tendência geral é que as temperaturas sejam moderadas durante toda a estação. Esperamos precipitações em níveis próximos à média histórica na maior parte do Brasil Central, o que deve garantir um excelente nível hídrico no solo para as culturas de verão, como milho e soja”.
A Influência do La Niña e suas Perspectivas
Celso Oliveira, meteorologista da Tempo OK, ressalta que a primavera foi levemente afetada por um La Niña “fraco”, que não teve grande impacto nas condições atmosféricas. Ele explicou que a anomalia de temperaturas frias no Oceano Pacífico está se dissipando, com a expectativa de que a neutralidade climática se confirme até março de 2026.
As previsões para o verão 2023 são, portanto, de um cenário complexo, onde o aumento das temperaturas e a irregularidade das chuvas exigem atenção especial, principalmente do setor agropecuário e da população em geral. Monitorar as mudanças climáticas será crucial para se preparar adequadamente para os desafios que a nova estação irá apresentar.


